O que é a SAE

O que é a SAE ?

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é a metodologia científica da enfermagem.

Essa metodologia, vem sendo implementada no atendimento da enfermagem em todo o mundo e em todas as modalidades do serviço, seja ela na atenção primária, na atenção secundária ou na atenção terciária. Sendo assim, a SAE deve fazer parte de qualquer assistência de enfermagem ao paciente, porque através dela é possível conferir maior segurança da assistência aos pacientes, melhora a qualidade dessa assistência e dá maior autonomia aos profissionais de enfermagem, neste caso, os enfermeiros e enfermeiras.

Nos últimos anos, a velocidade das trocas de informações e a evolução tecnológica, deu início a globalização. Essa globalização e as atuais políticas públicas de saúde, gerou a necessidade de uma reorganização da assistência de enfermagem prestada aos pacientes, que fosse pautada, na obtenção e na análise de indicadores de saúde e que permitissem a troca de informações, a avaliação e o acompanhamento da qualidade desses serviços prestados ao paciente.

Com o avanço de novas tendências na área da saúde, como, diminuir custos na assistência ao paciente e aumentar a qualidade da assistência, a enfermagem teve de passar por um aprimoramento de suas atividades profissionais e isso fez com que se tornasse cada vez mais necessária a implantação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).

Segundo Lemos (2006), a SAE é definida como uma metodologia científica de que o profissional enfermeiro dispõe para aplicar seus conhecimentos técnico-científicos e humanos na assistência aos seus pacientes.

A SAE, veio com o objetivo de oferecer respaldo científico na assistência, segurança e direcionamento para as atividades realizadas pelos enfermeiros, contribuindo para maior autonomia, credibilidade, visibilidade e competência da enfermagem e por fim, maior satisfação profissional.

SAE no Brasil

No Brasil, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é regulamentada pela Resolução nº 358/2009 do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), preconizando que sua implantação é obrigatória e que deve ocorrer em todas as unidades de atendimento à saúde que ofereçam assistência de enfermagem, seja ela pública ou privada. A Resolução Cofen nº 358/2009, estabelece ainda, que o Processo de Enfermagem (PE) deve ser realizado de modo deliberado e sistemático em todos os estabelecimentos de saúde que tem o cuidado profissional de enfermagem. Destaca ainda as cinco etapas do Processo de Enfermagem (PE) que são: coleta de dados (ou histórico), diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação.

A concepção de que a enfermagem como ciência deve estar pautada em uma ampla estrutura teórica, aplicada à prática por meio do PE, vem sendo também divulgada por docentes, discentes e pelos profissionais enfermeiros, porém é necessário que o processo seja guiado por uma Teoria de Enfermagem (TE) a fim de tornar mais operacionalizáveis os resultados da assistência prestada aos pacientes.

De acordo com Oliveira (2019) há uma problemática em torno da SAE para implanta-la, é que, apesar de ela ter regulamentos e publicações que a amparam, ainda é comum o relato, por parte dos enfermeiros, sobre dificuldades na aplicação da SAE na prática diária do cuidar, bem como de percebê-la como um meio para otimizar o cuidado clínico de enfermagem. Muitos estudantes, e até mesmo profissionais de enfermagem com vários anos de experiência, confundem ou sumarizam a SAE como mero instrumento de coleta de dados, não compreendendo que esta vai muito além de uma atividade burocrática a ser realizada. A coleta de dados proporcionado pela SAE, oportuniza aos enfermeiros, fazer a avaliação minuciosamente desses dados que refletirão nos cuidados dados ao paciente, independente do seu prognóstico. Há também aqueles que associam a SAE a preencimento de formulários, ou então, a mais uma atividade de registro de dados entre tantas outras realizadas pelos enfermeiros.

O descaso com o registro do processo de cuidado ao paciente, seja no prontuário do paciente, ou em outros documentos próprios, pode resultar, por um lado, em ausência de visibilidade e de reconhecimento profissional e, por outro lado, em obstáculos para a avaliação de sua prática, o que é talvez mais sério, pois dificulta o avanço da ciência de Enfermagem.

Garcia, 2016.

A sistematização das ações de enfermagem pode favorecer um maior contato entre enfermeiros e pacientes, promovendo a criação de vínculos e a melhora do atendimento a saude dos pacientes, porém, existe na prática assistencial, a necessidade de se capacitar os profissionais enfermeiros de modo que esse contato seja mais efetivo e que as ações sejam sistematizadas.

Os enfermeiros necessitam cada vez mais de conhecimentos acerca das Teorias de Enfermagem, do Processo de Enfermagem, de fisiologia humana, de semiologia, de patologia e de habilidades para gerenciar as unidades efetivamente. Os enfermeiros poderão assistir diretamente o paciente, a família ou a comunidade, e
obter indicadores de saúde através dos registros realizados nos prontuários desses pacientes pelos profissionais de enfermagem. Com esses registros, os enfermeiros poderão avaliar a qualidade da assistência prestada e mensurar o quanto os membros da equipe de enfermagem contribuíram para a melhora do quadro de saúde dos pacientes que estavam sob seus cuidados.

Para que a Sistematização da Assistência de Enfermagem seja incorporada de forma efetiva na prática da enfermagem, é necessária duas ações: Primeiro, uma conscientização de todos os enfermeiros sobre a sua importância e implantação no trabalho. Segundo, uma educação permanete de todos os profissionais de enfermagem envolvidos na assitência.

Raimundo Renato da Silva Neto

Os enfermeiros precisam de instrumentos que favoreçam a implantação das etapas do PE na prática do seu trabalho, tais como, um ambiente físico adequado para o atendimento ao paciente e, a forma com que esses dados serão coletados, se através de um prontuário eletrônico ou de um prontuário impresso.

A SAE é uma ferramenta científica da enfermagem utilizada pelos enfermeiros na sua assistência, que melhora a prática assistencial de enfermagem com base no conhecimento, no pensamento e na tomada de decisão clínica do enfermeiro com o suporte de evidências científicas a partir da avaliação dos dados subjetivos e objetivos do paciente.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.