O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) revisou e definiu quais procedimentos estéticos estão ao alcance dos enfermeiros especialistas na área. A análise técnica e legal buscou delimitar as fronteiras de atuação, permitindo que a profissão avance de forma segura e regulamentada. A matéria abrange uma gama de técnicas, desde as minimamente invasivas até as que envolvem aplicação de substâncias.
A regulamentação é crucial para garantir a segurança do paciente e a qualidade dos serviços oferecidos. A enfermagem, com sua formação científica e técnica, busca consolidar seu espaço em áreas cada vez mais especializadas da saúde, como a estética.
Dentre as práticas autorizadas, destacam-se procedimentos que utilizam tecnologia e conhecimento fisiológico para aprimorar a aparência e o bem-estar. A eletrocauterização, por exemplo, emprega corrente elétrica para tratar lesões cutâneas superficiais e estimular o colágeno.
A endermoterapia, também conhecida como vacuoterapia, utiliza sucção para massagem profunda, promovendo melhor circulação e mobilização de líquidos. A iontoforese e a sonoforese, por sua vez, utilizam correntes elétricas e ultrassom, respectivamente, para potencializar a penetração de substâncias ativas na pele.
Outras técnicas de destaque incluem a limpeza de pele, que visa a higienização profunda e a preparação cutânea, e a luz intensa pulsada, uma forma de fototerapia que atua em diversas condições estéticas. A radiofrequência, que emprega ondas eletromagnéticas para aquecimento dérmico e estímulo de colágeno, também figura na lista.
Procedimentos minimamente invasivos como a indução percutânea de ativos — que cria microcanais na pele para penetração de substâncias, excluindo o microagulhamento em si — e o preenchimento dérmico com substâncias como ácido hialurônico são igualmente contemplados.
A aplicação de toxina botulínica e o Procedimento Estético Injetável por Microvasos (PEIM) são outros exemplos de intervenções que exigem conhecimento técnico específico e estão sob o escopo da atuação do enfermeiro esteta. Estes procedimentos visam correção de linhas de expressão, tratamento de microvasos, entre outros objetivos.
O Papel das Resoluções e Pareceres
A definição das competências do enfermeiro na área estética é balizada por normativas específicas. A Resolução Cofen nº 626/2020 é um dos pilares, detalhando procedimentos como eletroterapia, eletrotermofototerapia, uso de cosméticos e cosmecêuticos.
Pareceres técnicos, como o Parecer de Câmara Técnica nº 001/2022 e o Parecer nº 04/2023, complementam e esclarecem a aplicação destas normativas, especialmente em relação a procedimentos injetáveis e outras técnicas específicas. Tais documentos asseguram que a prática esteja alinhada com as mais recentes evidências científicas e a legislação vigente.
A análise também considera a possibilidade de uso de botão anestésico em procedimentos estéticos. Por analogia e correlação técnica, entende-se que não há óbice para que o enfermeiro esteta utilize anestésicos locais, desde que capacitado e dentro dos limites éticos e técnicos estabelecidos.
É fundamental ressaltar que a prática profissional deve sempre pautar-se pela responsabilidade ética e pelo aprimoramento contínuo. A busca por capacitação e atualização é um dever inerente à profissão de enfermagem.
Procedimentos Vedados e Limitações Judiciais
Apesar das autorizações, é imperativo notar que alguns procedimentos estéticos são expressamente vedados aos enfermeiros. A decisão judicial referente ao Processo nº 20778-15.2017.4.01.3400, que tramitou na 20ª Vara de Brasília, impactou diretamente o rol de práticas permitidas.
Dentre os procedimentos que encontram vedação por força dessa decisão judicial, destacam-se o endolaser, o microagulhamento, a mesoterapia e a intradermoterapia. Essas restrições servem como um alerta para a importância da observância das determinações legais e de suas implicações na prática profissional.
A distinção entre procedimentos estéticos e terapêuticos é vital, assim como a clareza sobre os limites de atuação em cada contexto. A enfermagem, ao atuar na estética, deve fazê-lo com base em conhecimento técnico-científico, ético e legal.
A constante evolução da ciência e das técnicas na área da saúde estética demanda um acompanhamento rigoroso por parte das entidades reguladoras. O Cofen, ao promover esta atualização de competências, reforça o compromisso com a excelência e a segurança na prestação de cuidados em saúde estética.
A responsabilidade final pela aplicação correta das normas e pela garantia da segurança do paciente recai sobre o profissional. Portanto, o enfermeiro esteta deve manter-se atualizado sobre todas as resoluções, pareceres e decisões judiciais pertinentes à sua área de atuação.





