Sobre o caso da investigação
O Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou na manhã de quarta-feira (01/04) a Operação Thánatos, em Lages (Santa Catarina). A investigação, conduzida pela 5ª Promotoria de Justiça da Comarca de Lages, suspeita de um suposto esquema de vazamento de informações antecipadas de óbitos e pagamento de propina a servidores públicos da saúde para beneficiar uma funerária na captação de serviços e clientes na cidade e região catarinense.
De acordo com o Ministério Público (MP), os vazamentos das informações sobre óbitos envolveriam diferentes fontes de atendimentos e ocorrências registradas pelo SAMU, no Hospital Tereza Ramos, na UPA, e em residências da região. Com esse acesso prévio aos dados, representantes da funerária conseguiam chegar antes aos familiares, não só se aproveitando do momento de vulnerabilidade das famílias dos entes falecidos, como também violando o sistema de rodízio municipal.
Segundo indícios apresentados pelo Ministério Público, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Lages autorizou nove mandados de busca e apreensão em endereços dos investigados. Durante o cumprimento dos mandados, foi encontrado, pelos agentes, R$ 80 mil em espécie. Os elementos reunidos pela investigação indicam a existência de transferências bancárias compatíveis com o padrão de pagamento de propina, o que sustenta suspeitas de corrupção ativa e passiva. As investigações também apontam para comunicações frequentes entre os funcionários da funerária e agentes públicos que tinham acesso direto às informações sobre os óbitos.
Das diligências
As diligências buscam obter documentos, mídias, equipamentos e outros materiais que possam comprovar pagamentos, repasses de informações e a participação de eventuais novos envolvidos no esquema. Os elementos que foram apreendidos durante a operação serão encaminhados para a Polícia Científica, para a realização de análises e exames que poderão servir no andamento da operação. A investigação tramita em sigilo e, assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.
O nome Thánatos, segundo o Ministério Público, foi inspirado em uma figura da mitologia grega, associada à morte. A denominação simboliza o encerramento de práticas ilícitas, a ruptura de esquemas criminosos e a responsabilização penal dos envolvidos, reafirmando o compromisso institucional com a legalidade, a moralidade administrativa e a proteção da sociedade.
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Fotos: Ministério Público de Santa Catarina / Divulgação.





