A técnica de enfermagem Ana Paula Veloso Fernandes, conhecida como “Menina Veneno”, foi presa em outubro de 2025, em São Paulo, acusada de ser a maior assassina em série do Brasil neste ano. O caso, que ganhou repercussão nacional, envolve mortes por envenenamento, um suposto uso indevido de conhecimento técnico da área da saúde e uma sequência de crimes que chocaram o país pela frieza e pela forma de execução. Ver Isabel Veloso relata agravamento de câncer após nascimento do primeiro filho.
A prisão e o início das investigações
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, Ana Paula, de 36 anos, foi detida após uma investigação que começou ainda no primeiro semestre de 2025. As autoridades suspeitam que ela tenha cometido ao menos quatro homicídios, todos por meio de envenenamento.
Os investigadores chegaram até ela após a morte de um homem que havia consumido uma feijoada preparada pela suspeita, o que levou o caso a ser apelidado pela imprensa como “a feijoada assassina”. O modo como as vítimas morreram chamou atenção: sintomas de intoxicação súbita, vômitos e paradas cardiorrespiratórias ocorreram poucas horas após a ingestão dos alimentos.
O perfil da “Menina Veneno”
Descrita por vizinhos e conhecidos como uma mulher aparentemente tranquila e prestativa, Ana Paula trabalhava como técnica de enfermagem e, segundo relatos, utilizava seus conhecimentos sobre substâncias químicas e medicamentosas para manipular venenos potentes.
O apelido “Menina Veneno” surgiu nas redes sociais após as primeiras notícias sobre o caso, fazendo alusão à sua aparência gentil contrastando com a crueldade das ações atribuídas a ela. Essa dualidade entre imagem pública e comportamento criminoso alimentou o interesse da mídia e a perplexidade popular.
As vítimas e o método de envenenamento
Até o momento, as investigações indicam que quatro pessoas teriam sido mortas por Ana Paula. Entre as vítimas, estariam:
- O proprietário da casa onde ela morava, em Guarulhos, São Paulo;
- Um policial militar com quem teria mantido um relacionamento;
- O pai de uma amiga, residente no Rio de Janeiro;
- Um homem de nacionalidade tunisiana, que teria conhecido em um grupo de redes sociais.
As mortes seguem o mesmo padrão: todas as vítimas tiveram contato direto com alimentos ou bebidas preparados pela técnica de enfermagem. O veneno usado ainda não foi oficialmente confirmado, mas há indícios de que possa ser uma substância de uso restrito, com fácil acesso para profissionais de saúde, o que levantou questionamentos sobre controle de medicamentos e insumos tóxicos em ambientes hospitalares.
Envolvimento de cúmplices e novas prisões
Além de Ana Paula, outras duas mulheres foram presas preventivamente: Roberta, sua irmã gêmea, e Michele, uma amiga próxima. Ambas são suspeitas de colaborar com a execução dos crimes ou ajudar na ocultação de provas.
Relatos indicam que Roberta teria participado da administração de substâncias tóxicas, enquanto Michele teria ajudado a criar álibis e distrações para despistar a polícia. O trio, segundo a investigação, mantinha uma convivência intensa e uma rotina de manipulações, vinganças pessoais e conflitos financeiros com as vítimas.
Exumações e perícias toxicológicas
Com o avanço das investigações, os corpos das possíveis vítimas foram exumados para realização de exames toxicológicos e laboratoriais. Os peritos buscam confirmar a presença de substâncias químicas venenosas, o que pode consolidar as provas de homicídio qualificado por meio insidioso.
As autoridades também analisam laudos de necropsia anteriores, prontuários médicos e possíveis registros de compras de produtos controlados. O objetivo é estabelecer o vínculo entre a suspeita e a obtenção dos venenos utilizados.
Confissões e contradições
Durante os interrogatórios, Ana Paula teria confessado quatro assassinatos, mas com versões contraditórias. Em algumas ocasiões, alegou que as mortes teriam sido “acidentes” ou “atos de vingança pessoal”. Em outros depoimentos, chegou a negar qualquer envolvimento.
A defesa da acusada sustenta que não há provas materiais conclusivas e que a confissão inicial teria ocorrido sob pressão emocional, após longas horas de interrogatório. Já o Ministério Público argumenta que há fortes indícios de premeditação, motivação e domínio do meio utilizado.
Impacto social e reflexões sobre a profissão
O caso provocou ampla comoção e reacendeu o debate sobre ética profissional e responsabilidade técnica na enfermagem. A imagem da técnica de enfermagem, historicamente associada ao cuidado e à proteção da vida, foi duramente abalada pela repercussão do caso.
Entidades da categoria reforçaram que se trata de um caso isolado e não representa a conduta da maioria dos profissionais da área, que atuam com ética e dedicação. No entanto, o episódio levantou discussões sobre saúde mental, estresse ocupacional e limites éticos no exercício das funções de cuidado.
Situação jurídica e andamento do processo
Ana Paula Veloso e as demais acusadas permanecem presas preventivamente, aguardando o desfecho das perícias e o andamento do processo criminal. O caso tramita sob sigilo parcial, devido à gravidade das acusações e à preservação das famílias das vítimas.
Se confirmadas as provas, ela poderá responder por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo torpe e uso de veneno, além de associação criminosa. As penas somadas podem ultrapassar 100 anos de prisão.
Repercussão e cobertura nacional
O episódio rapidamente se tornou um dos casos criminais mais acompanhados do Brasil em 2025. Programas de televisão, portais de notícias e redes sociais dedicaram ampla cobertura à história da “Menina Veneno”, que combina elementos de traição, envenenamento e comportamento psicopata.
Especialistas em criminologia destacam que o perfil apresentado — mulher aparentemente calma, de boa aparência e socialmente integrada — é típico de assassinos em série manipuladores, que se aproveitam da confiança das vítimas.
Considerações finais
O caso de Ana Paula Veloso Fernandes ainda está em andamento, e nenhuma sentença definitiva foi proferida. Até o momento, as informações são baseadas em investigações preliminares e depoimentos.
Mesmo sem condenação, o caso já se consolida como um dos mais marcantes do cenário criminal brasileiro contemporâneo, revelando a complexidade dos crimes de envenenamento e a necessidade de aprimorar mecanismos de controle e rastreabilidade de substâncias químicas no país.





