Cofen discute gênero e direitos em seminário

Um seminário de destaque sobre a saúde da mulher reuniu centenas de profissionais e representantes de entidades na última quinta-feira (26/3), em Brasília. O evento, promovido pelo Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF), com a participação do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), abordou a valorização da mulher na Enfermagem e o aprimoramento das políticas públicas voltadas para o bem-estar feminino, em um contexto nacional de mobilização contra o feminicídio.

A discussão sobre a importância de políticas públicas eficazes para a saúde feminina ganhou força, com a ênfase na necessidade de estratégias que promovam não apenas a prevenção, mas também o acesso a serviços de qualidade.

A mesa redonda contou com a participação de importantes figuras do campo da saúde, que ressaltaram o papel crucial da Enfermagem, majoritariamente feminina, na construção de um cuidado mais empático e atento às especificidades das mulheres.

A coordenação da Comissão de Saúde da Mulher do Coren-DF, Valda Fumeiro, destacou o compromisso do evento em tratar a pauta feminina com a seriedade e o respeito que ela demanda, um tema cada vez mais urgente no cenário social.

Tatiana Melo, representante do presidente do Cofen, Manoel Neri, sublinhou a relevância da realização do seminário no mês de março, simbolicamente associado à luta das mulheres, reforçando o compromisso das entidades com o combate à violência de gênero.

A atuação feminina na área da saúde foi um dos pilares da discussão, com o conselheiro federal Reneé Costa pontuando que a saúde da mulher é, intrinsecamente, construída por mulheres e para mulheres, refletindo a predominância feminina na profissão.

O conselheiro enfatizou a necessidade de um olhar mais empático em relação às mulheres em todos os âmbitos, especialmente diante de uma sociedade que ainda exibe marcas de machismo estrutural, tornando a reflexão coletiva indispensável.

Fortalecimento da autonomia reprodutiva e capacitação profissional

Um dos pontos altos do seminário foi a entrega de certificados a enfermeiros que concluíram a formação como multiplicadores em Ultrassom Beira Leito, uma iniciativa promovida pelo Cofen. Essa capacitação visa expandir o acesso a tecnologias de diagnóstico rápido e eficiente, beneficiando diretamente a saúde das mulheres.

O Coren-DF, com o apoio dos novos multiplicadores, anunciou que oferecerá em breve a mesma capacitação em seu âmbito de atuação, ampliando o alcance dessa formação especializada.

O presidente do Coren-DF, Elissandro Noronha, ressaltou o impacto positivo da formação de multiplicadores na expansão do acesso a métodos contraceptivos seguros e ao planejamento reprodutivo em todo o Distrito Federal.

Parcerias entre o Cofen e o Coren-DF já estão capacitando enfermeiros para a inserção de dispositivos como o DIU e o implante subdérmico, métodos que se mostram altamente eficazes na redução da mortalidade materna, mas que sofrem com a carência de profissionais qualificados.

A representante da Secretaria da Mulher, Renata d’Aguiar, reforçou a importância da união feminina para a conquista e ampliação de direitos, lembrando que os avanços atuais são fruto de lutas de gerações anteriores.

Ela alertou para a inadmissibilidade da persistência da violência no ambiente de trabalho e destacou que garantir segurança e dignidade é um dever coletivo, intimamente ligado ao compromisso com as políticas públicas.

Reflexão sobre violência de gênero e clamor por paz

O seminário também dedicou um espaço para aprofundadas reflexões sobre a violência de gênero, um tema que ressoa com urgência em todo o país. O evento buscou conscientizar e mobilizar os participantes para o combate a todas as formas de violência contra a mulher.

Em um dos momentos de maior comoção, a tesoureira Valda Fumeiro conduziu um ato simbólico em memória das vítimas de violência, com um forte apelo por paz e dignidade.

O clamor por uma vida livre de violência, com felicidade e respeito, foi um dos principais legados do evento, buscando sensibilizar a sociedade e as autoridades para a necessidade de ações contínuas e efetivas.

A iniciativa de hastear uma bandeira pela paz demonstrou a força do desejo coletivo por um futuro onde as mulheres possam viver plenamente, sem medo ou opressão, consolidando a importância do tema nas agendas de saúde e políticas públicas.

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