Profissionais de Enfermagem de Santa Catarina participaram de uma intensa oficina prática sobre o manejo da amamentação, focando na qualificação do cuidado a mães e recém-nascidos. O evento, realizado em Florianópolis, buscou aprimorar as habilidades dos enfermeiros em aspectos cruciais da assistência ao aleitamento materno, desde a teoria até a aplicação em situações reais.
A iniciativa visou fortalecer a capacidade dos profissionais em oferecer um suporte mais eficaz e humanizado durante o processo de amamentação, um período crítico para a saúde da díade mãe-bebê.
Durante a capacitação, a Resolução Cofen 736/2024, que estabelece novas diretrizes para o Processo de Enfermagem nos serviços de saúde, foi abordada de forma central. A norma atualizada orienta os enfermeiros a adotarem uma abordagem sistemática e baseada em evidências no cuidado, com foco na individualização das necessidades de cada paciente.
Igualmente importante foi o treinamento em estratégias de aconselhamento. A escuta qualificada, o acolhimento e a oferta de orientações claras e personalizadas foram enfatizados como pilares para o sucesso da amamentação.
A parte teórica deu lugar a uma imersiva experiência prática. Dividida em cinco estações temáticas, a atividade utilizou modelos realistas do corpo humano para simular desafios comuns enfrentados por mães e bebês.
Os grupos de profissionais rotacionaram pelas estações, dedicando tempo a cada tema específico. Essa metodologia dinâmica permitiu a aplicação imediata dos conhecimentos teóricos adquiridos.
Avanços na Prática Assistencial
O desenvolvimento de habilidades práticas em situações simuladas é fundamental para a consolidação do aprendizado. As estações abordaram desde a fisiologia da lactação até a resolução de problemas como traumas mamilares e a correta pega e posição do bebê.
A oficina também dedicou espaço para o manejo da ordenha manual do leite materno e a compreensão do trajeto do leite do peito ao bebê, oferecendo uma visão holística do processo de amamentação.
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina (Coren-SC), Maristela Assumpção Azevedo, destacou a relevância da iniciativa para a excelência da Enfermagem. “Essa oficina é fundamental porque alia conhecimento técnico e prática, preparando os profissionais para atuarem com mais segurança e sensibilidade no cuidado às mães e aos recém-nascidos. Investir em capacitação é investir diretamente na qualidade da assistência”, afirmou.
Essa abordagem integrada garante que os enfermeiros estejam mais bem preparados para lidar com as complexidades da amamentação, promovendo o bem-estar materno-infantil.
A coordenadora da Câmara Técnica, Ivone Amazonas Marques Abolnik, ressaltou a metodologia empregada. “A proposta foi trabalhar com uma metodologia ‘mão na massa’, em que os profissionais vivenciam situações reais do dia a dia. Isso facilita o aprendizado, fortalece a troca de experiências e contribui para uma atuação mais qualificada na prática assistencial”, explicou.
Essa filosofia de ensino “aprender fazendo” replica os desafios encontrados no ambiente de trabalho, tornando a capacitação mais relevante e impactante para a rotina dos enfermeiros.
O Papel Estratégico da Enfermagem na Promoção do Aleitamento Materno
A atuação do enfermeiro transcende a mera orientação; ela engloba a identificação precoce de dificuldades e a implementação de intervenções eficazes para garantir o sucesso do aleitamento materno. A capacitação contínua, como a promovida em Florianópolis, é essencial para que esses profissionais possam desempenhar seu papel estratégico na saúde pública.
Investimentos em programas de treinamento e desenvolvimento profissional na área de saúde neonatal e pediátrica são cruciais para reduzir indicadores de morbimortalidade infantil e promover a saúde a longo prazo. A Enfermagem, como profissão que acompanha a mãe e o bebê desde o pré-natal até o puerpério, tem uma responsabilidade ímpar.
A importância do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida é amplamente reconhecida pela comunidade científica e pelas organizações de saúde globais. O leite materno fornece todos os nutrientes e anticorpos necessários para o desenvolvimento saudável do recém-nascido, além de fortalecer o vínculo afetivo entre mãe e filho.
Ao aprimorar as competências dos enfermeiros, o sistema de saúde fortalece a rede de apoio às famílias, assegurando que mais mães possam amamentar seus filhos com confiança e segurança, contribuindo para um futuro mais saudável para a sociedade.




