A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal deu um passo significativo na última quarta-feira ao aprovar, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 19. O texto em questão redefine a base de cálculo para o piso salarial da Enfermagem, vinculando-o a uma jornada semanal de 36 horas, em vez das 44 horas atualmente consideradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Esta decisão impulsiona a matéria para a próxima fase de tramitação, o Plenário do Senado, com expectativa de aceleração processual.
A aprovação na CCJ representa um avanço para a categoria, que busca a correção de uma disparidade histórica. A vinculação do piso a uma jornada de 44 horas semanais resultava em uma remuneração proporcionalmente menor para profissionais que, na prática, cumpriam cargas horárias reduzidas. A PEC 19 foca em ajustar essa distorção, assegurando que o valor base do piso seja uma referência mais equitativa.
A proposta, de autoria da senadora Eliziane Gama (PSD-MA), não tem como objetivo alterar a jornada de trabalho dos profissionais, mas sim estabelecer um novo parâmetro para o cálculo do piso salarial. Isso significa que a remuneração mínima da Enfermagem será definida com base em uma referência de 36 horas semanais, impactando positivamente os rendimentos de muitos trabalhadores da área.
Implicações e próximos passos
A mudança na base de cálculo do piso salarial é vista como um reconhecimento da essencialidade da profissão. Representantes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e de conselhos regionais têm enfatizado que a medida é um passo crucial para a valorização da Enfermagem, uma categoria fundamental para o funcionamento do sistema de saúde em todo o país, atuando na linha de frente do cuidado.
A aprovação unânime na CCJ demonstra um consenso político em torno da importância de equiparar a remuneração à realidade da profissão. O relator da matéria, senador Fabiano Contarato (PT-ES), destacou que a proposta visa garantir justiça salarial e fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando uma assistência mais digna e segura para a população brasileira.
A senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR), que possui formação em Enfermagem, ressaltou que, embora a luta histórica da categoria seja por uma jornada de 30 horas semanais, a aprovação da PEC 19 com a referência de 36 horas representa um avanço considerável e uma etapa estratégica para atingir o objetivo final. A negociação e o diálogo com parlamentares foram fundamentais para chegar a este consenso inicial.
Caminho legislativo e mobilização contínua
Com a aprovação no Senado, a PEC 19 segue agora para a Câmara dos Deputados, onde deverá passar por análise em suas respectivas comissões e, posteriormente, ser votada em plenário. O requerimento para tramitação em calendário especial no Senado indica uma intenção de agilizar o processo legislativo, aumentando as chances de que a proposta avance rapidamente.
A expectativa é de que a matéria seja tratada com a mesma urgência e atenção nas próximas etapas. Lideranças da Enfermagem têm convocado os profissionais de todo o Brasil a manterem o engajamento, dialogando com seus representantes e cobrando o compromisso com a votação da PEC 19, consolidando assim a valorização de uma categoria que é espinha dorsal da saúde pública.





