Pela primeira vez, mulheres são maioria na medicina em SP

Pela primeira vez, mulheres são maioria na medicina em SP

O perfil da medicina no estado de São Paulo atravessa uma transformação histórica. Segundo o relatório Demografia Médica 2026, recorte estadual da pesquisa coordenada pelo professor Mário Scheffer (FMUSP), as mulheres consolidaram-se como a maioria da categoria. O fenômeno, que já era visível nas salas de aula e residências, agora reflete o mercado de trabalho como um todo.

Medicina cada vez mais feminina

Pela primeira vez na história, as mulheres representam pouco mais de 50% do corpo médico paulista. A projeção é que essa tendência se intensifique: estima-se que em uma década as médicas ocupem 70% do mercado.

Apesar do avanço quantitativo, o estudo alerta para desigualdades estruturais:

  • As mulheres já são maioria em 22 das 55 especialidades médicas.
  • Contudo, ainda enfrentam remunerações menores que os homens.
  • Há sub-representação feminina em cargos de liderança acadêmica e institucional.

O gargalo da especialização: 40% dos médicos são generalistas

O estado encerrou o período com quase 200 mil médicos ativos, mas um dado preocupa os especialistas: 40% desses profissionais não possuem especialidade.

Esses médicos, chamados de generalistas, são em grande parte recém-formados que não conseguiram — ou não optaram por — ingressar em programas de residência médica. Eles compõem a linha de frente de prontos-atendimentos, plantões e atenção primária.

Para o professor Mário Scheffer, há uma insuficiência de vagas de residência para absorver o alto volume de egressos das faculdades. “É fundamental ampliar a formação especializada e qualificar esses profissionais para que consigam resolver a maioria dos problemas de saúde da população”, destaca.

Desigualdade Geográfica e Setor Privado

Embora o estudo indique que não há escassez absoluta de médicos em nenhuma região de saúde de São Paulo, a distribuição permanece desigual.

  • Concentração de especialistas: Os profissionais com títulos de especialidade tendem a se agrupar em grandes centros e na rede privada.
  • Conflito SUS x Privado: A extensa rede particular de São Paulo cria uma sobreposição de oferta que nem sempre beneficia o Sistema Único de Saúde (SUS).

A expansão do setor deve continuar acelerada. A projeção da Demografia Médica aponta que, até 2035, o estado de São Paulo conte com aproximadamente 340 mil médicos.

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