RIM UNIVERSAL: CIÊNCIA TRANSFORMA TRANSPLANTES E PODE REDUZIR FILAS NO MUNDO

RIM UNIVERSAL: CIÊNCIA TRANSFORMA TRANSPLANTES E PODE REDUZIR FILAS NO MUNDO

Pesquisadores da University of British Columbia (UBC), no Canadá, anunciaram um avanço significativo na medicina de transplantes ao desenvolverem uma técnica capaz de transformar rins em órgãos compatíveis com qualquer tipo sanguíneo. O estudo foi publicado em 3 de outubro de 2025 na revista científica Nature Biomedical Engineering.

A inovação utiliza enzimas altamente específicas que removem os antígenos presentes na superfície do órgão — estruturas responsáveis por identificar o tipo sanguíneo (A, B, AB ou O). Ao eliminar esses marcadores, o rim originalmente do tipo A é convertido em um órgão funcionalmente equivalente ao tipo O, considerado doador universal. Esse processo impede que o sistema imunológico do receptor reconheça o órgão como estranho, reduzindo o risco de rejeição.

Testes experimentais

Nos testes experimentais, o rim modificado foi transplantado em um paciente com morte cerebral, com autorização familiar, permitindo a análise da resposta imunológica em um modelo humano. O órgão funcionou adequadamente por cerca de dois dias, filtrando o sangue sem apresentar sinais de rejeição hiperaguda — uma das principais complicações em transplantes incompatíveis.

Embora tenham sido observados sinais iniciais de retorno dos antígenos após esse período, a reação imunológica foi significativamente mais leve do que a esperada em casos de incompatibilidade, indicando um avanço promissor na tolerância do organismo ao órgão modificado.

O desenvolvimento representa uma mudança de paradigma: em vez de adaptar o paciente ao órgão por meio de imunossupressão intensa, a técnica modifica o próprio órgão antes do transplante. Isso pode permitir procedimentos mais rápidos, seguros e acessíveis, inclusive com órgãos provenientes de doadores falecidos.

Especialistas destacam que a descoberta tem potencial para reduzir drasticamente as filas de espera por transplantes, especialmente entre pacientes do tipo O, que enfrentam maior dificuldade em encontrar doadores compatíveis. Ao ampliar a compatibilidade entre doadores e receptores, a tecnologia pode aumentar a disponibilidade de órgãos e salvar milhares de vidas em escala global.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *