A gripe aviária acendeu o sinal vermelho em Santa Catarina, que resolveu agir rápido. O governo estadual decidiu proibir, por tempo indeterminado, a entrada de aves vivas e ovos férteis vindos de cidades específicas do Rio Grande do Sul, depois da confirmação de um foco da doença no estado vizinho. A medida foi oficializada por meio de uma nota técnica divulgada no domingo (18), em um momento em que o Brasil já contabiliza dois casos confirmados e outros seis em investigação. A suspeita mais recente surgiu em Ipumirim, no Oeste catarinense, o que aumentou a preocupação e fez as autoridades locais intensificarem os cuidados sanitários.
Alerta sanitário em ritmo acelerado
A restrição anunciada visa conter o avanço do vírus H5N1, causador da gripe aviária, que tem preocupado produtores e autoridades. Além da proibição de entrada de aves e ovos das áreas afetadas, o estado também reforçou ações de biossegurança.
O foco da doença em uma granja comercial do Rio Grande do Sul fez soar o alarme sanitário, e Ipumirim, onde há uma suspeita em análise, virou o centro das atenções em Santa Catarina. Técnicos da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) já estiveram na granja suspeita, coletaram amostras e aguardam os resultados laboratoriais, previstos para o dia 20 de maio.
Municípios vetados e zona de contenção
Ao todo, 12 cidades gaúchas foram colocadas na lista de proibição de exportação de aves vivas e ovos férteis para Santa Catarina. Entre elas estão Canoas, Esteio, Gravataí, Montenegro, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Triunfo, todas localizadas em regiões com foco da doença ou risco iminente.
A exceção fica por conta de produtos industrializados e ovos comerciais de fora da zona de contenção. A barreira sanitária busca proteger o status sanitário catarinense, crucial para a economia do estado, especialmente para a cadeia produtiva de aves.
Brasil já investigou quase 3 mil casos suspeitos
Desde que o vírus da gripe aviária chegou ao Brasil, em maio de 2023, o país analisou 2.883 casos suspeitos de aves com sintomas respiratórios ou neurológicos. Desse total, 166 foram confirmados como sendo da doença — o equivalente a cerca de 5%.
A maioria das confirmações ocorreu em aves silvestres, mas também há registros em criações domésticas e, mais recentemente, em uma granja comercial, o que elevou a gravidade da situação.
Risco para humanos é baixo, mas atenção é essencial
De acordo com o Ministério da Agricultura, a gripe aviária não é transmitida por meio do consumo de carne de frango ou ovos, desde que os produtos sejam inspecionados e preparados corretamente. Ainda assim, profissionais que lidam diretamente com aves infectadas, sejam elas vivas ou mortas, devem redobrar os cuidados.
O risco de contágio humano é baixo, mas não desprezível. Por isso, a recomendação é clara: ao menor sinal de aves com sintomas como dificuldade respiratória, andar cambaleante ou morte súbita, a Cidasc deve ser comunicada imediatamente.
Prevenção é a palavra de ordem
O governo catarinense reforçou a importância de medidas preventivas nos criadouros. Entre elas estão a proibição de visitas de pessoas externas às granjas, o uso de equipamentos de proteção por trabalhadores e a não manipulação de aves mortas ou doentes.
O foco é evitar a propagação do vírus e proteger a segurança alimentar da população, mantendo o estado fora da rota de novos focos.
Situação em monitoramento constante
A situação segue sendo acompanhada de perto pelas autoridades estaduais e federais. O resultado das amostras coletadas em Ipumirim poderá redefinir o rumo das ações em Santa Catarina. Até lá, as barreiras sanitárias seguem firmes, enquanto os produtores e consumidores aguardam com atenção os desdobramentos dessa nova ameaça à avicultura brasileira. Ver também Ignorar um desconforto aparentemente “bobo” quase custou a vida de uma mulher.





