O que era para ser uma simples troca de experiências virou motivo de orgulho nacional. O Reino Unido, um dos países com o sistema de saúde pública mais antigo e respeitado do mundo, está se inspirando em uma prática tipicamente brasileira: o trabalho dos agentes comunitários de saúde do SUS. Sim, a mesma figura que bate de porta em porta nos bairros brasileiros agora é vista como exemplo a ser seguido fora do país. Tudo começou com Bernardo Xavier, um ex-advogado de 32 anos que decidiu mudar de vida. Deixou a advocacia para trás e escolheu encarar o desafio de trabalhar nas ruas, atuando como agente comunitário de saúde.
Nessa função, ele ajuda a aproximar a população dos serviços básicos de saúde, promovendo a prevenção e orientando moradores. Mas a atuação de Bernardo não ficou só no Brasil: neste ano, ele viajou até Londres para compartilhar sua experiência com profissionais do NHS (National Health Service), o famoso sistema de saúde britânico.
O SUS que inspira o mundo
A visita de Bernardo faz parte de uma cooperação internacional entre a Fiocruz e o Imperial College de Londres. O foco do projeto é estudar como o modelo brasileiro de atenção primária pode ajudar a melhorar o atendimento prestado no Reino Unido, especialmente em áreas mais carentes. A ideia é simples e poderosa: usar agentes comunitários para criar um elo direto entre o sistema de saúde e a comunidade, algo que tem dado certo no Brasil e que poderia beneficiar muitos britânicos.
Mesmo com toda a infraestrutura e tradição do NHS, o sistema britânico enfrenta dificuldades. Faltam profissionais, há longas filas de espera e muitos pacientes não recebem acompanhamento adequado. A aposta agora é trazer um pouco da humanização e proximidade do SUS para dentro do sistema britânico.
Fiocruz na liderança da troca de saberes
Quem está coordenando a parte brasileira da cooperação é o Laboratório ResiliSUS, da Fiocruz. A proposta é mostrar que o modelo do SUS, apesar de suas limitações e críticas internas, pode ser exemplo de gestão inteligente e acolhimento.
Pesquisadores do Reino Unido estão de olho em como adaptar essas práticas para realidades diferentes, sem perder a essência do cuidado contínuo e da presença comunitária.
Reconhecimento que vem de fora
Não é a primeira vez que o SUS ganha reconhecimento internacional. Países da América Latina, da África e até da Europa têm demonstrado interesse em entender como o Brasil consegue oferecer atendimento gratuito, de qualidade e com abrangência nacional.
A atuação dos agentes comunitários, em especial, é vista como um diferencial estratégico — e agora também como modelo de exportação.
Um símbolo da transformação social
A história de Bernardo Xavier resume bem o espírito dessa mudança. De advogado para agente comunitário e agora um embaixador do SUS em terras estrangeiras, ele representa uma geração que acredita na saúde pública e na força das ações simples que fazem diferença.
E quem diria: enquanto muitos brasileiros ainda questionam o valor do SUS, o mundo começa a enxergar nele uma referência a ser seguida. Ver também Gripe aviária em granja do RS preocupa autoridades.





