Alta demanda foi um dos pontos debatidos
A superlotação nos hospitais públicos de Joinville foi o tema debatido na Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (22). Na reunião, dados atualizados mostram ocupação acima da capacidade no Hospital Municipal São José (HMSJ) e no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt. No primeiro há 260 leitos para 336 pacientes internados, enquanto no segundo há 224 leitos para 341 internados. O excesso faz com que pacientes aguardem atendimento nas emergências.
O encontro foi proposto pelo vereador Henrique Deckmann (MDB), e contou com a presença dos diretores das unidades, representantes das secretarias de saúde municipal e estaduales, e do Hospital Bethesda, que atende às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos principais pontos levantados pela diretoria foi a “cultura” da população local em procurar diretamente os hospitais, em vez das unidades de saúde, para cuidar de problemas de baixa complexidade.
O diretor-presidente da HMSJ, Arnaldo Júnior, estimou que entre 40% e 45% dos pacientes atendidos no pronto-socorro, poderiam ser atendidos nas unidades básicas de saúde. O Hospital Bethesda relatou situação semelhante. O diretor Lúcio Slovinski afirmou que muitos casos não justificam o atendimento hospitalar, dando exemplos de sintomas como dores na coluna, queda de cabelo ou até unha quebrada. Para Lúcio, isso reflete uma cultura comportamental dos cidadãos pela procura direta aos hospitais.
O vereador Brandel Júnior (Republicanos), também afirmou que muitos pacientes optam pelos hospitais por conta da possibilidade de realizar consultas e exames no mesmo local, algo que não ocorre nas unidades básicas.
A defasagem histórica em Joinville
A secretária municipal de Saúde, Daniela Cavalcante, relatou que a superlotação não é atribuída apenas à preferência da população por hospitais públicos. Segundo ela, Joinville enfrenta uma defasagem histórica nos leitos hospitalares.
Daniela afirmou que, em 2002, o número de leitos estava abaixo do recomendado pelo Ministério da Saúde, que recomendava 2,2 leitos por mil habitantes. Considerando a população atual de Joinville, seriam necessários cerca de 1,7 mil leitos, enquanto a recomendação atual, que aumentou nos últimos anos, varia de 2,5 a 2,7 leitos por mil habitantes, o que torna a defasagem ainda mais evidente.
Baixa vacinação contra a gripe pode agravar a situação
A diretora regional da Secretaria Estadual de Saúde, Graziela Vieira de Alcântara, alertou, durante a reunião, para outro ponto preocupante: a baixa cobertura vacinal contra a Influenza em Santa Catarina, que está em apenas 16%. Ela afirma que a baixa adesão à vacina pode agravar ainda mais a superlotação nos hospitais, com o aumento de casos de síndromes respiratórias, que poderiam ser evitados pela vacinação.
A secretária Daniela aproveitou para reforçar o apelo para que a população procure as unidades básicas de saúde para atualizar a carteira vacinal e tomar as vacinas, a fim de reduzir a pressão sobre os hospitais.
Ao final do encontro, o vereador Henrique Deckmann solicitou um plano de trabalho de até 60 dias, com diagnóstico atualizado da situação hospitalar em Joinville e de novas propostas para enfrentar o problema.
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