Tratamento integral de lábio leporino será obrigatório no SUS com aprovação de novo projeto de lei

Tratamento integral de lábio leporino será obrigatório no SUS com aprovação de novo projeto de lei

Em uma importante vitória para a saúde pública e para milhares de famílias brasileiras, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que garante a oferta completa e gratuita de tratamento para lábio leporino e fenda palatina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, que já havia passado pelo crivo do Senado, agora segue para sanção presidencial. Com isso, crianças nascidas com essa condição congênita poderão contar não apenas com a cirurgia reparadora, mas também com um conjunto de atendimentos multidisciplinares essenciais à sua recuperação e desenvolvimento, envolvendo áreas como fonoaudiologia, psicologia e ortodontia.

Atendimento completo e gratuito pelo SUS

O Projeto de Lei 3526/2019, de autoria do deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), estabelece que o SUS deve oferecer gratuitamente não só a cirurgia corretiva, mas também o acompanhamento terapêutico necessário para uma recuperação eficaz e abrangente.

Entre os serviços incluídos estão tratamentos com fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas especializados e outros profissionais da saúde. A iniciativa foi saudada como uma grande conquista, pois promete mudar o futuro de milhares de crianças e jovens que enfrentam limitações físicas e sociais causadas pela condição.

Importância da intervenção precoce

Relator do projeto, o deputado Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO) destacou que cerca de 15 crianças nascem todos os dias no Brasil com lábio leporino ou fenda palatina. Ele alertou que quanto mais tempo se demora para realizar a cirurgia, maiores são os riscos de complicações no desenvolvimento da criança, que pode enfrentar dificuldades para se alimentar, falar, além de sofrer infecções frequentes e discriminação escolar.

“O tratamento precoce é essencial para garantir qualidade de vida e inclusão social”, afirmou o parlamentar.

Segurança jurídica e fortalecimento de direitos

Embora o tratamento já seja considerado um direito previsto na Constituição, a aprovação da lei reforça e explicita essa garantia, conferindo maior segurança jurídica e tornando mais eficaz a implementação de políticas públicas voltadas para o cuidado integral dessas crianças.

Segundo Alexandrino, transformar esse direito em uma norma legal específica facilita o direcionamento de recursos e a organização dos serviços especializados no SUS.

Alterações importantes feitas pelo Senado

Durante a tramitação no Senado, foram feitas duas mudanças relevantes ao texto original. A primeira determina que, ao se diagnosticar a condição ainda no pré-natal ou logo após o nascimento, o bebê deve ser encaminhado com urgência para um centro especializado, onde o planejamento do tratamento terá início imediato.

A segunda emenda retirou o termo “plástica” do texto da lei, o que evita que o procedimento seja confundido com uma intervenção meramente estética. Essa mudança também permite que profissionais de outras especialidades, além de cirurgiões plásticos, possam realizar a cirurgia, ampliando o acesso ao procedimento.

Reconhecimento da cirurgia como reparadora, não estética

Durante o debate em plenário, a deputada Lenir de Assis (PT-PR) ressaltou que a cirurgia de correção de lábio leporino não é uma questão de vaidade, mas uma necessidade reparadora. “É uma intervenção que já faz parte do SUS, mas com este projeto, ampliamos a visibilidade da causa e o acesso ao tratamento”, afirmou.

Já o deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO), que também é médico, criticou a categorização da cirurgia como plástica, observando que isso gera obstáculos para sua realização, inclusive por planos de saúde. “É uma cirurgia funcional, que precisa ser feita na idade certa, e que não pode ser negada por questões terminológicas”, disse.

Mais dignidade e inclusão para os pacientes

Além dos benefícios clínicos, os parlamentares também destacaram os impactos sociais e emocionais da medida. O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) classificou a aprovação do projeto como um avanço na promoção da autoestima e dignidade dos pacientes, considerando o procedimento uma questão essencial de saúde pública.

Agora, com o texto aguardando apenas a sanção do presidente da República, o Brasil dá um passo significativo para assegurar a inclusão, o bem-estar e a saúde integral de milhares de cidadãos desde o nascimento. Veja também Incêndio de grandes proporções atinge concessionária e loja automotiva em Cruzeiro do Sul e deixa sete pessoas intoxicadas.

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