O governo dos Estados Unidos anunciou a retirada da recomendação de seis vacinas do calendário infantil nacional, decisão que provocou forte reação de entidades médicas e especialistas em saúde pública. A mudança foi oficializada nesta segunda-feira (5) pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, órgão responsável pela política de vacinação no país.
A medida passa a valer imediatamente e reduz de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados de forma universal para crianças norte-americanas.
Com a atualização do calendário, deixam de ser recomendadas para aplicação rotineira em todas as crianças as vacinas contra:
- gripe
- hepatite A
- hepatite B
- meningococo
- vírus sincicial respiratório (VSR)
- rotavírus
A pasta informou que os imunizantes continuam disponíveis, mas não constam mais como recomendação obrigatória de rotina para toda a população infantil.

Mudança foi liderada por Robert Kennedy Jr.
A reformulação do calendário vacinal foi conduzida pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert Kennedy Jr., que assumiu o comando do departamento em fevereiro de 2025. Kennedy é conhecido por posicionamentos críticos às políticas tradicionais de vacinação.
Sobrinho do ex-presidente John F. Kennedy, ele tem defendido revisões no modelo de imunização adotado pelo país, o que já vinha gerando controvérsia antes mesmo do anúncio oficial.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou a mudança nas redes sociais. Segundo ele, o novo calendário é “mais razoável” e estaria alinhado a padrões adotados por outros países desenvolvidos.
Trump afirmou que as 11 vacinas mantidas no calendário cobrem as doenças consideradas mais graves e que essas imunizações seguem garantidas pelos planos de saúde. Para o presidente, a revisão representa uma decisão baseada em “bom senso”.
Comunidade médica reage com críticas
A comunidade médica internacional, liderada por associações de pediatria e infectologia, reagiu com forte preocupação e críticas à recente decisão do governo dos Estados Unidos (sob a nova administração de 2025/2026) de retirar seis vacinas do calendário infantil obrigatório.
Aqui estão os pontos centrais da polêmica:
- Risco de Surtos: Médicos alertam que a medida pode causar o ressurgimento de doenças já erradicadas ou controladas, como o sarampo e a poliomielite, colocando em risco não apenas as crianças não vacinadas, mas toda a imunidade coletiva.
- Base Científica Questionada: Especialistas afirmam que não há evidências científicas que justifiquem a remoção dessas vacinas, que passaram por décadas de testes de segurança e eficácia. Eles classificam a decisão como “politicamente motivada”.
- Impacto na Confiança: A maior crítica recai sobre o sinal enviado à população. A comunidade médica teme que a retirada das recomendações oficiais alimente movimentos antivacina e destrua a confiança pública nos sistemas de saúde.
- Preocupação Global: Como os EUA são referência para diversos órgãos de saúde mundial, especialistas brasileiros e europeus temem que a medida influencie outros países a adotarem políticas semelhantes, retrocedendo décadas em saúde pública.
O movimento é visto por muitos analistas como uma das primeiras grandes mudanças na política de saúde pública americana após a nomeação de figuras críticas à vacinação para cargos estratégicos no governo.

Especialistas alertam para aumento de doenças
O infectologista Jesse Goodman, professor da Universidade de Georgetown, afirmou que a retirada das recomendações tende a elevar os índices de infecções e hospitalizações entre crianças.
Na avaliação do especialista, a decisão representa um retrocesso na política de saúde pública e pode impactar diretamente a proteção coletiva, especialmente entre populações mais vulneráveis.
A tensão entre o governo dos Estados Unidos e a comunidade científica sobre o calendário vacinal infantil atingiu um ponto crítico no início de 2026. O debate não é apenas médico, mas tornou-se uma das maiores crises políticas de saúde pública das últimas décadas.
Nos próximos meses, o debate deve se concentrar na liberação de verbas federais. O governo sinaliza que estados que mantiverem a obrigatoriedade das vacinas retiradas do calendário nacional poderão sofrer cortes de recursos, o que promete levar a disputa até a Suprema Corte.
Estatísticas e cenário atual do Brasil
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil vive um momento de retomada histórica. Após anos de queda nas taxas de cobertura (especialmente entre 2016 e 2021), os dados de 2024 e do primeiro semestre de 2025 mostram uma recuperação consistente.
De acordo com o Ministério da Saúde, no primeiro quadrimestre de 2025, o Brasil registrou aumento na cobertura de 15 das 16 principais vacinas do calendário infantil em comparação ao mesmo período de 2024.
| Vacina | Cobertura 2024 (Início) | Cobertura 2025 (Início) |
| BCG (Tuberculose) | 63,5% | 88,2% |
| Tríplice Viral D1 (Sarampo, Caxumba, Rubéola) | 86,5% | 91,8% |
| Penta (Difteria, Tétano, Coqueluche, etc.) | 82,3% | 84,2% |
| Meningococo C | 69,7% | 84,3% |
| Poliomielite (VOPb) | 74,1% | 79,3% |
Nota importante: No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) continua sendo um dos mais respeitados do mundo e mantém a recomendação dessas vacinas como fundamentais para a saúde infantil.





