Passar muitas horas sentado em aviões, ônibus ou carros durante as viagens de fim de ano pode aumentar o risco de trombose venosa, especialmente em deslocamentos superiores a quatro horas. Especialistas explicam quem está mais suscetível, quais sinais exigem atenção e quais cuidados ajudam a prevenir o problema antes, durante e após a viagem.
Por que viagens longas aumentam o risco de trombose?
O período de festas costuma coincidir com deslocamentos prolongados, aeroportos lotados e longas horas de imobilidade. Nesse cenário, médicos chamam atenção para a chamada trombose do viajante, condição associada à formação de coágulos no sangue, principalmente nas pernas.
A trombose ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia, dificultando ou interrompendo o fluxo sanguíneo. Durante viagens longas, a principal causa está na redução da circulação nas pernas provocada pela permanência prolongada na posição sentada.
Quando o corpo fica imóvel por muitas horas, mecanismos naturais que auxiliam o retorno do sangue ao coração deixam de funcionar adequadamente. Isso favorece a lentidão do fluxo sanguíneo, a dilatação das veias e cria um ambiente propício para a formação do coágulo.
A partir de quanto tempo o risco aumenta?
O risco passa a ser mais relevante em viagens com duração aproximada de quatro horas ou mais, sobretudo em voos de média e longa distância. Além da imobilidade, outros fatores contribuem para o problema, como:
- Espaço reduzido entre as poltronas
- Compressão da região atrás do joelho
- Permanência prolongada com quadril e joelhos flexionados
- Menor oxigenação do sangue em voos comerciais
Esses elementos, somados, podem favorecer o surgimento da trombose venosa profunda.
Quem precisa de atenção redobrada?
Embora o risco absoluto seja baixo para pessoas saudáveis, alguns grupos apresentam maior predisposição e devem redobrar os cuidados durante viagens longas.
Entre eles estão:
- Pessoas que já tiveram trombose
- Fumantes
- Pessoas com obesidade
- Indivíduos sedentários
- Pacientes com câncer ativo
- Mulheres que utilizam anticoncepcional oral
- Homens em tratamento com testosterona
A idade também é um fator importante. O risco aumenta progressivamente com o passar dos anos, especialmente após os 45 anos, e se torna ainda mais relevante a partir dos 60.
Outro agravante comum em viagens é a desidratação. O consumo insuficiente de água torna o sangue mais viscoso, dificultando a circulação. Em deslocamentos longos, especialmente de avião, muitas pessoas ingerem menos líquidos do que o necessário. O consumo de álcool e cafeína também contribui para a perda de líquidos.
Quais são os riscos das complicações?
Um dos principais temores associados à trombose é a possibilidade de evolução para embolia pulmonar, situação em que parte do coágulo se desprende e migra para os pulmões.
Por esse motivo, a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar são consideradas manifestações de um mesmo quadro clínico, conhecido como tromboembolismo venoso (TEV). Em alguns casos, a embolia pode ocorrer de forma silenciosa, sem sintomas evidentes, o que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Como se prevenir antes, durante e depois da viagem?
A prevenção da trombose do viajante envolve medidas simples, acessíveis e eficazes, sendo a principal delas manter o corpo em movimento.
Mesmo sentado, é possível estimular a circulação com exercícios básicos, como:
- Movimentar os pés para frente e para trás
- Fazer rotações com os tornozelos
- Alternar a elevação dos calcanhares e das pontas dos pés
Sempre que possível, levantar-se e caminhar por alguns minutos ao longo da viagem também ajuda a reduzir o risco. As meias de compressão elástica são importantes aliadas na prevenção. Elas ajudam a evitar o acúmulo de sangue nas pernas e melhoram o retorno venoso ao coração.
Em geral, podem ser consideradas em viagens a partir de três a quatro horas, mas a indicação ideal varia conforme o perfil de cada viajante.
Após a chegada
Os cuidados não terminam com o desembarque. Os sintomas de trombose podem surgir dias ou até semanas depois da viagem, sendo mais frequentes nas duas primeiras semanas.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Inchaço persistente, especialmente quando uma perna fica mais inchada que a outra
- Dor localizada
- Endurecimento da panturrilha
- Alterações na cor da pele
A assimetria entre os membros é um ponto importante de atenção. Caso um lado esteja visivelmente mais inchado ou dolorido, é fundamental procurar atendimento médico.
Além disso, sintomas como falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue ou desmaio exigem avaliação médica imediata, pois podem indicar embolia pulmonar.
Planejamento da viagem também é cuidado com a saúde
Embora a trombose do viajante seja considerada um evento de baixo risco na população geral, a atenção aos sinais do corpo e a adoção de medidas preventivas fazem toda a diferença para evitar complicações graves.
Em períodos de festas e férias, planejar a viagem vai além da escolha do destino. Manter-se hidratado, movimentar o corpo durante o trajeto e observar possíveis sintomas após a chegada são atitudes simples que contribuem para uma viagem de Natal mais segura, do embarque ao retorno para casa.





