Significa ato ou efeito de contrair-se; contração.

Contratura

A contratura é uma condição musculoesquelética caracterizada pela limitação do movimento de uma articulação devido ao encurtamento ou retração de músculos, tendões, fáscias, cápsula articular ou pele. Esse encurtamento impede que a articulação realize sua amplitude de movimento normal (ADM), resultando em rigidez, dor, deformidade e perda funcional. Ver Enfermeira atua em hospital de campanha após epidemia em tribo. Contratura Termos Técnicos de Enfermagem que significa ato ou efeito de contrair-se; contração.

A contratura pode ser temporária ou permanente, reversível ou irreversível, dependendo da causa e do tempo de instalação. É uma das principais causas de incapacidade física em pacientes acamados, neurológicos, idosos, queimados e pós-cirúrgicos. Por isso, é um tema fundamental na fisioterapia, ortopedia, neurologia, enfermagem e reabilitação.


Diferença entre contratura e espasmo muscular

TermoCaracterística
Espasmo muscularContração involuntária e súbita do músculo (temporária)
Contratura muscularEncurtamento persistente e prolongado do músculo ou tecido periarticular, limitando o movimento

Ou seja, espasmo é momentâneo, contratura é duradoura.


Estruturas que podem causar contratura

  • Músculos
  • Tendões
  • Fascia muscular
  • Cápsula articular
  • Ligamentos
  • Pele (pós-queimadura, fibrose)
  • Tecido conjuntivo

Qualquer alteração estrutural que reduza a elasticidade dessas estruturas pode gerar contratura.


Principais causas de contratura

1. Imobilização prolongada

  • Gesso, talas
  • Paciente acamado
  • Pós-cirurgia

2. Doenças neurológicas

  • AVC
  • Paralisia cerebral
  • Lesão medular
  • Esclerose múltipla
  • Parkinson

3. Espasticidade e hipertonia

  • Aumento do tônus muscular causa encurtamento

4. Doenças musculares

  • Distrofias musculares
  • Miopatias

5. Traumas e lesões

  • Fraturas
  • Luxações
  • Rutura de tendões

6. Queimaduras

  • Cicatrização hipertrófica
  • Fibrose cutânea

7. Inflamações articulares

  • Artrite reumatoide
  • Artrose avançada
  • Sinovite crônica

8. Pós-cirurgia ortopédica

  • Joelho, quadril, ombro

9. Falta de mobilidade

  • Sedentarismo
  • Idosos com sarcopenia

Tipos de contraturas

As contraturas podem ser classificadas de várias formas:

1. Pela estrutura acometida

  • Muscular: encurtamento de músculo
  • Tendínea: encurtamento de tendão
  • Capsular: retração articular (ex: ombro congelado)
  • Cutânea: pele retraída (queimaduras)
  • Fascial: fibrose da fáscia

2. Pelo mecanismo

  • Miogênica (intrínseca): dentro do músculo
  • Artrogênica: articulação rígida
  • Neurogênica: por espasticidade (ex: AVC)
  • Fibrogênica: fibrose e cicatriz

3. Pelo padrão

  • Flexora: articulação dobrada (ex: joelho, cotovelo)
  • Extensora: articulação esticada
  • Adução/Abdução: desvio lateral
  • Rotacional: rotação interna/externa
  • Pescoço em torcicolo
  • Pé equino (pé em ponta)

Sinais e sintomas de contratura

  • Limitação do movimento (ADM reduzida)
  • Rigidez articular
  • Deformidade visível
  • Dor ao tentar movimentar
  • Encurtamento muscular ao toque
  • Dificuldade nas atividades de vida diária (AVDs)
  • Alteração da marcha (andar)
  • Compensação de outros músculos
  • Dor muscular secundária

Em casos graves, pode haver deformidade permanente e incapacidade funcional.


Complicações da contratura não tratada

  • Deformidades fixas
  • Úlceras por pressão (em acamados)
  • Dor crônica
  • Artrose
  • Atrofia muscular
  • Perda de mobilidade
  • Dependência funcional
  • Aumento de risco de quedas
  • Problemas respiratórios (contratura torácica)
  • Problemas de higiene (encaixamento de membros)
  • Necessidade de cirurgia corretiva

Diagnóstico

1. Avaliação clínica

  • Inspeção postural
  • Amplitude de movimento (goniometria)
  • Força muscular
  • Tônus
  • Dor
  • História clínica (imobilização, AVC, queimadura, etc.)

2. Exames de imagem (em alguns casos)

  • Raio-X (deformidade óssea)
  • Ultrassom (fibrose muscular)
  • Ressonância magnética (alteração estrutural)
  • Eletromiografia (espasticidade/atividade muscular)

Tratamento da contratura

O tratamento depende da gravidade e da causa. Pode ser conservador ou cirúrgico.

1. Fisioterapia (base do tratamento)

  • Alongamentos passivos e ativos
  • Mobilização articular
  • Liberação miofascial
  • Exercícios de fortalecimento
  • Treino de marcha
  • Técnicas de inibição da espasticidade
  • CPM (movimento passivo contínuo)

2. Órteses e talas

  • Mantêm o músculo alongado
  • Evitam agravamento da contratura

3. Termoterapia

  • Calor (relaxa músculos)
  • Ultrassom terapêutico
  • Ondas curtas

4. Eletroterapia

  • TENS (dor)
  • FES (estimulação funcional)

5. Medicamentos

  • Relaxantes musculares
  • Antiespásticos (baclofeno)
  • Toxina botulínica (botox) para espasticidade

6. Cirurgia (casos graves)

  • Tenotomia (liberação de tendão)
  • Alongamento muscular cirúrgico
  • Capsulotomia (liberação da cápsula articular)
  • Transferência tendínea
  • Liberação de cicatrizes (em queimados)

7. Reabilitação pós-cirúrgica

  • Fisioterapia intensiva
  • Uso de órteses
  • Treino funcional

Prevenção de contraturas (essencial!)

1. Mobilização precoce de pacientes acamados

  • Mudança de decúbito
  • Exercícios passivos, ativos-assistidos e ativos

2. Fisioterapia preventiva

  • Alongamentos diários
  • Amplitude total de movimento

3. Uso de posicionamento correto

  • Almofadas
  • Cadeiras adaptadas
  • Órteses

4. Controle de espasticidade

  • Medicação
  • Toxina botulínica

5. Cuidados pós-cirúrgicos adequados

6. Atividade física regular


Papel da enfermagem na contratura

A enfermagem é fundamental na prevenção e no cuidado de contraturas, especialmente em pacientes acamados, neurológicos ou pós-operatórios.

Atribuições da enfermagem:

✅ Avaliar mobilidade e amplitude de movimento
✅ Identificar risco de contraturas
✅ Realizar mudanças de decúbito a cada 2h
✅ Posicionar corretamente o paciente
✅ Aplicar talas ou órteses conforme prescrição
✅ Estimular exercícios ativos e passivos
✅ Trabalhar em conjunto com fisioterapia
✅ Registrar evolução da mobilidade
✅ Orientar paciente e familiares
✅ Incentivar alongamentos e atividades motoras
✅ Prevenir úlceras por pressão (pacientes imóveis)
✅ Observar sinais de espasticidade ou rigidez


Importância da prevenção

A contratura é muito mais fácil de prevenir do que de tratar. Uma contratura leve pode ser revertida com alongamentos e fisioterapia. No entanto, contraturas crônicas e fibrosas muitas vezes exigem cirurgias complexas ou resultam em incapacidade permanente.

Por isso, a equipe de enfermagem e fisioterapia deve atuar desde o início da internação do paciente, especialmente em UTIs, enfermarias e reabilitação.


Encurtamento permanente ou prolongado

A contratura é o encurtamento permanente ou prolongado de músculos, tendões ou tecidos periarticulares, resultando em limitação de movimento e perda funcional. Pode ser causada por imobilização, doenças neurológicas, espasticidade, queimaduras, traumas ou cirurgias.

Seu tratamento envolve fisioterapia, alongamentos, órteses, medicações e, em casos graves, cirurgia. A PREVENÇÃO é o ponto mais importante, e a enfermagem tem papel essencial nesse processo, por meio de mobilização precoce, posicionamento, registro adequado e trabalho interdisciplinar.

Dominar o conceito de contratura é fundamental para garantir qualidade de vida, funcionalidade e independência dos pacientes, reduzindo complicações e melhorando os resultados terapêuticos.

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