O trágico falecimento de uma adolescente após procurar atendimento médico por oito vezes consecutivas em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) desencadeou uma onda de comoção e revolta na comunidade local. A jovem, que buscava ajuda para aliviar dores persistentes, não resistiu, apesar de retornar repetidamente ao serviço de saúde. O caso, amplamente repercutido, reacende discussões sobre a responsabilidade médica e a eficácia dos serviços públicos de saúde. Em resposta à comoção pública, um vereador apresentou um requerimento formal pedindo o afastamento imediato de sete médicos que participaram do atendimento à adolescente, alegando indícios de negligência e omissão.
Repetidas idas à UPA não evitaram a tragédia
Segundo informações de familiares e registros da unidade de saúde, a adolescente deu entrada na UPA oito vezes, em diferentes dias, relatando fortes dores abdominais e desconfortos diversos. Apesar das múltiplas visitas, a jovem teria sido liberada repetidamente sem a realização de exames aprofundados ou encaminhamentos para outros níveis de atenção médica.
A morte da adolescente foi registrada após a última tentativa de atendimento, levantando sérias suspeitas sobre falhas no protocolo de triagem e diagnóstico.
Parlamentar cobra providências e responsabilização
O vereador responsável pelo pedido de afastamento dos profissionais de saúde envolvidos declarou que a sequência de atendimentos sem solução demonstra uma possível conduta omissa. Em pronunciamento à imprensa, ele afirmou que “não é possível naturalizar que uma adolescente precise ir tantas vezes ao serviço de emergência sem ter um diagnóstico preciso ou medidas eficazes“.
O parlamentar formalizou o pedido de afastamento cautelar de sete médicos que teriam atuado diretamente nos atendimentos prestados à jovem. O objetivo é garantir a lisura nas investigações que já foram solicitadas à Secretaria Municipal de Saúde e ao Conselho Regional de Medicina (CRM).
Secretaria de Saúde e CRM acompanham o caso
Diante da repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou nota informando que instaurou uma sindicância interna para apurar eventuais falhas no atendimento prestado. Além disso, o Conselho Regional de Medicina foi acionado para avaliar a conduta ética dos profissionais envolvidos.
Representantes das entidades afirmaram que o caso será investigado com o devido rigor, respeitando os direitos da família e o direito à ampla defesa dos profissionais citados.
Comunidade exige respostas e justiça
Moradores e líderes comunitários organizaram manifestações em frente à UPA para cobrar transparência e celeridade nas apurações. A comoção tomou conta das redes sociais, onde amigos e parentes da adolescente relataram o sofrimento da jovem durante os dias em que buscou ajuda médica. A sensação de impotência diante da perda e da possível negligência contribuiu para o crescimento da pressão popular por mudanças nos serviços de urgência e emergência do município.
O episódio levanta importantes questionamentos sobre a estrutura das UPAs, a formação dos profissionais e a burocracia envolvida na triagem de casos que chegam às emergências.
Especialistas em saúde pública alertam que situações como essa refletem não apenas erros individuais, mas também falhas sistêmicas que exigem revisão de protocolos, investimentos em capacitação e fortalecimento da atenção primária à saúde. Veja também Criança morre após ser medicada em hospital e família acusa negligência: “Minha filha foi assassinada”.



