Uma tragédia abalou a cidade de Pedro Leopoldo, na Grande BH, no último fim de semana. A pequena Evelyn Marques, de apenas 1 ano e 4 meses, não resistiu a um quadro grave de bronquiolite que, segundo sua mãe, Amanda Marques, poderia ter sido evitado se o atendimento médico tivesse sido mais atencioso e eficaz. O drama vivido por essa família começou com sintomas aparentemente comuns e terminou em revolta e luto, levantando suspeitas de negligência e falhas no sistema de saúde pública.
Sintomas ignorados e primeiro atendimento
Tudo começou na segunda-feira (28), quando Evelyn amanheceu tossindo, mas mesmo assim foi para a creche. No meio do dia, a escola ligou avisando que ela estava com febre. A mãe a buscou, deu medicação e ficou atenta.
No dia seguinte, como a criança não apresentou melhora, Amanda a levou ao Hospital Municipal da cidade. A médica plantonista receitou apenas uma bombinha e paracetamol. Mas a situação só piorava.
Quarta-feira crítica e os primeiros sinais graves
Na manhã da quarta-feira (30), a bebê já não conseguia mais levantar, estava molinha e com o olhar fixo. Ao retornar ao hospital, foi encaminhada para a emergência devido à baixa saturação. Recebeu oxigênio, lavagem nasal e dipirona. Foi feito um raio-X que apontava uma mancha no pulmão.
Ainda assim, os médicos afirmaram que os pulmões estavam “limpos”. Segundo Amanda, essa avaliação contraditória marcou o início de uma sucessão de decisões médicas confusas.
Troca de plantão e medicação suspensa
Durante a noite, a bebê teve uma leve melhora após receber um remédio indicado pelo médico do plantão. Porém, na manhã seguinte, já com outra médica no comando, a medicação foi interrompida sem justificativa clara.
“Ela falou que não precisava do remédio, mesmo com a prescrição anterior”, contou a mãe. Evelyn ficou o dia inteiro sem receber soro, remédios ou alimentação adequada.
Raio-x esquecido e tratamento tardio
Só por volta do meio-dia da sexta-feira, após nova troca de plantão, a médica questionou se a criança tinha feito exame de imagem. Ao revisar os documentos, encontrou o raio-x já existente e só então identificou a suspeita de pneumonia. Uma nova dose de antibiótico foi aplicada, mas já era tarde demais.
Evelyn teve quatro paradas cardíacas durante a noite, após uma tentativa de intubação com tubos inadequados para seu tamanho. “Usaram tubo de adulto, porque não tinha pediátrico. A boca dela estava toda machucada”, lamentou Amanda.
Resposta da prefeitura e justificativas oficiais
Em nota oficial, a Prefeitura de Pedro Leopoldo lamentou o ocorrido e afirmou que a criança recebeu atendimento conforme os protocolos médicos, incluindo oxigenoterapia, antibióticos e suporte avançado.
A prefeitura também disse que tentou a transferência para uma UTI pediátrica, mas não encontrou vaga disponível na rede estadual. Ainda segundo o comunicado, não houve omissão ou erro por parte da equipe médica.
Revolta e dor: uma mãe em busca de respostas
Apesar da justificativa oficial, Amanda Marques acredita firmemente que houve falhas graves e que a morte de sua filha poderia ter sido evitada. “Ela foi sendo deixada de lado. Quando perceberam a gravidade, já era tarde. Tudo que eu quero agora é justiça”, desabafou.
A história de Evelyn escancara a fragilidade do sistema público de saúde, a falta de estrutura em situações críticas e o impacto que decisões médicas podem ter na vida de uma família. O caso ainda deve ser investigado mais a fundo pelas autoridades competentes. Veja também Médico é preso suspeito de matar adolescente de 15 anos com tiro na cabeça em Mato Grosso.





