Um episódio digno de cena de filme de ação, mas que infelizmente aconteceu de verdade, abalou a rotina de um hospital no Rio de Janeiro. Na última semana, criminosos armados invadiram o Hospital Municipal Pedro II, na zona oeste da cidade, para dar fim a uma missão macabra: matar um paciente que já havia sobrevivido a cinco tiros no mesmo dia. Antes de entrar, o bandido chegou a avisar ao porteiro que entraria “de qualquer jeito” porque precisava “terminar um serviço”.
O alvo era Lucas Fernandes de Souza, de 31 anos, que estava internado após a tentativa anterior de homicídio. A ação deixou médicos, enfermeiros e pacientes em pânico, mostrando mais uma vez o quanto a violência tem ultrapassado todos os limites.
O ataque organizado
Segundo as investigações, o bando chegou em dois carros. O líder, identificado como Erlan Oliveira de Araújo, conhecido pelo apelido de “Orelha”, usava até colete da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), numa clara tentativa de enganar a segurança.
Outros cinco homens participaram: dois ficaram do lado de fora armados com fuzis para dar cobertura, enquanto quatro entraram pelo estacionamento, vestidos de preto e até com luvas médicas, subindo as escadas à procura de Lucas.
Quem era o alvo
Lucas, que já tinha histórico de prisão por extorsão e envolvimento com a milícia em 2019, havia mudado de lado e passado a atuar junto ao tráfico. Essa troca de alianças pode ter motivado o ataque.
Ele estava entre os 300 pacientes internados no momento da invasão, e chegou a ser transferido de setor pouco antes dos criminosos avançarem até áreas delicadas do hospital, como o centro cirúrgico, onde oito mulheres estavam em trabalho de parto.
Pânico dentro da unidade
Profissionais de saúde relataram momentos de terror. Muitos contaram que se sentiram completamente expostos, sem proteção alguma, e com a sensação de que qualquer coisa poderia acontecer a qualquer instante.
O hospital, que costuma atender cerca de 470 pessoas por dia, precisou suspender atividades e reorganizar os atendimentos após o episódio. Lucas acabou sendo transferido para outra unidade médica.
Violência frequente nos hospitais
O caso não é isolado. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, só em 2025 as unidades do Rio precisaram interromper o atendimento mais de 500 vezes por conta de violência — seja por tiroteios, invasões ou operações policiais.
Esse cenário constante de medo e insegurança tem transformado hospitais, que deveriam ser espaços de cuidado, em locais de risco.
Governo em choque e troca de acusações
Enquanto profissionais seguem trabalhando sob ameaça, autoridades divergem sobre os números e responsabilidades. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, declarou que a situação não pode ser naturalizada. Já o secretário de Segurança Pública do estado, Victor Santos, disse que recebeu os dados sobre as 516 ocorrências apenas após a invasão, e prometeu investigar caso a caso.
O episódio ainda gerou troca de farpas entre secretários estaduais e municipais, mas os trabalhadores seguem firmes no compromisso de atender a população, mesmo em meio ao perigo. Ver Se não fosse o SUS, o que seria de nós?





