Pacientes sofrem complicações nos olhos após mutirão de cirurgias em hospital da Paraíba

Pacientes sofrem complicações nos olhos após mutirão de cirurgias em hospital da Paraíba

O que era pra ser um alívio na vida de dezenas de pacientes com problemas de visão virou um verdadeiro pesadelo em Campina Grande, no Agreste paraibano. Pessoas que participaram de um mutirão oftalmológico no Hospital de Clínicas da cidade começaram a relatar complicações sérias nos olhos logo depois do procedimento, incluindo casos de infecção e até perda total da visão. O mutirão aconteceu na última quinta-feira, dia 15 de maio, e desde o fim de semana diversos pacientes começaram a procurar outros hospitais com sintomas preocupantes.

Mutirão que terminou mal

O mutirão foi organizado com a proposta de acelerar o atendimento oftalmológico, mas acabou deixando um rastro de dor de cabeça — e no caso, literalmente, nos olhos. Uma idosa de 89 anos, por exemplo, perdeu totalmente a visão de um olho. Segundo o filho dela, Inácio Quaresma Neto, a senhora já vinha fazendo tratamento com aplicações mensais e apresentava melhora significativa. Após participar do mutirão, no entanto, ela saiu do hospital reclamando de dores e, logo em seguida, foi diagnosticada com uma infecção grave.

Outro caso aconteceu com um morador da cidade de Picuí, também atendido no mutirão. Ele teve sintomas parecidos e precisou ser levado com urgência para o Hospital Help, uma unidade filantrópica, onde deve passar por cirurgia.

O que dizem as autoridades

A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) confirmou que, dos 64 pacientes operados, pelo menos quatro apresentaram “desconfortos persistentes” no pós-operatório. Diante da gravidade dos relatos, a SES decidiu abrir um processo administrativo para apurar o que pode ter dado errado.

O detalhe é que as cirurgias foram realizadas por uma empresa terceirizada, a Fundação Rubens Dutra Segundo, contratada pela própria secretaria. A SES afirma que todos os materiais e profissionais envolvidos no mutirão eram de responsabilidade exclusiva da fundação.

Empresa se cala, hospital tenta ajudar

Procurada pela imprensa, a Fundação Rubens Dutra Segundo preferiu não comentar o caso, mas informou que vai apurar internamente o que houve.

Já o Hospital Help, que recebeu parte dos pacientes afetados, confirmou que atendeu duas pessoas encaminhadas pela regulação do SUS e que está prestando toda a assistência necessária.

Famílias cobram explicações

Quem viveu o drama de perto está em busca de respostas — e de justiça. “Ela saiu do hospital dizendo que estava doendo, que algo deu errado. E não foi só ela. Outros pacientes que estavam nesse mutirão também deram entrada em hospitais com os mesmos sintomas. Está claro que houve algum problema e queremos que seja esclarecido”, desabafou Inácio, filho da idosa que perdeu a visão.

A situação expõe mais uma vez os riscos que mutirões de saúde mal estruturados podem oferecer, especialmente quando envolvem procedimentos delicados como cirurgias nos olhos. Agora, o que se espera é que as investigações avancem e que os responsáveis — sejam eles quem forem — respondam pelos danos causados. Veja também Cezar Black volta ao batente no SUS e explica por que escolheu a enfermagem em vez da fama.

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