Pedreiro em surto psicótico morre ao pular do terceiro andar de hospital em Pouso Alegre

Pedreiro em surto psicótico morre ao pular do terceiro andar de hospital em Pouso Alegre

Um trágico episódio ocorreu na madrugada da última quarta-feira (5), no Complexo Hospitalar Samuel Libânio, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Wambert Marques Ferreira, de 30 anos, perdeu a vida após pular de uma janela no terceiro andar do hospital, onde estava internado. Relatos apontam que, antes do episódio fatal, o paciente já havia demonstrado comportamento agressivo, inclusive ferindo um médico com uma tesoura. O caso gerou grande comoção e levantou discussões sobre a necessidade de protocolos mais rígidos para pacientes em estado de surto psicótico.

Acidente de trabalho e início dos problemas de saúde

Natural de Campos Gerais, no Sul de Minas, Wambert havia se mudado para Pouso Alegre em busca de oportunidades na construção civil. Casado e pai de duas meninas, sua rotina foi drasticamente alterada após sofrer um acidente em uma obra. Enquanto trabalhava em um andaime, foi atingido na cabeça por uma tábua pesada. O impacto o derrubou, mas ele conseguiu se levantar, aparentando estar bem.

Contudo, nos dias seguintes, passou a relatar dores de cabeça intensas e persistentes. A situação se agravou quando foi encontrado desmaiado e convulsionando em sua casa. Socorrido, foi levado ao Hospital Samuel Libânio, onde exames constataram a presença de um coágulo no cérebro. O pedreiro foi submetido a uma cirurgia e permaneceu internado na UTI para recuperação pós-operatória.

Surto e atos de agressão dentro do hospital

A família de Wambert relatou que, na terça-feira (4), durante uma visita, ele reclamou de dores de cabeça intensas. Após o término do horário de visitas, seus parentes retornaram para casa, mas, poucas horas depois, foram surpreendidos por um telefonema do hospital informando que o paciente apresentava um comportamento agressivo.

Segundo relatos, por volta da meia-noite, Wambert entrou em um surto psicótico, tornando-se violento. Ele ameaçou enfermeiros e demais funcionários e, em meio à confusão, conseguiu se armar com uma tesoura, ferindo um médico no braço. Diante da situação, a equipe de segurança do hospital tentou conter o paciente, mas, em um momento de descuido, ele teria corrido até uma janela aberta e se lançado para fora.

Tentativa de socorro e falecimento

Apesar da rápida mobilização para prestar atendimento ao pedreiro, a gravidade da queda impossibilitou sua sobrevivência. Equipes médicas realizaram procedimentos de emergência, mas o óbito foi confirmado ainda no local.

O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exames e, posteriormente, liberado para sepultamento na cidade natal da vítima.

Sigilo e resposta do hospital

A tragédia não foi amplamente divulgada pelas autoridades locais. Nem a Polícia Civil nem a Polícia Militar emitiram comunicados oficiais sobre o ocorrido. Em nota, a Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí (FUVS), responsável pelo hospital, informou que, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às diretrizes éticas da área da saúde, não poderia fornecer informações detalhadas sobre o estado clínico do paciente.

O caso levanta questões sobre a necessidade de reforço na segurança de unidades hospitalares que recebem pacientes em surto psiquiátrico. Especialistas alertam para a importância de estruturas adequadas, treinamento de funcionários e protocolos eficazes para evitar que tragédias como essa se repitam. Veja também Santa Catarina amplia em 143% as cirurgias bariátricas pelo SUS e reforça atendimento a pacientes com obesidade.

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