A demência é frequentemente associada à perda de memória e dificuldades cognitivas, mas novas pesquisas apontam que sinais físicos podem surgir muito antes dessas manifestações tradicionais. Um estudo realizado por cientistas da Universidade Monash, na Austrália, revelou que determinadas alterações no metabolismo e na composição corporal podem servir como indicadores precoces da doença, aparecendo até 11 anos antes do diagnóstico formal.
Mudanças no corpo como alerta para a demência
A equipe de pesquisadores analisou dados de longo prazo e identificou dois sinais físicos que podem indicar o desenvolvimento da demência em sua fase inicial, muito antes das dificuldades cognitivas serem perceptíveis. Esses sinais incluem:
- Perda de peso acelerada e inexplicável
Um dos primeiros indícios apontados pelo estudo foi a diminuição súbita de peso sem motivo aparente. Essa redução ocorre devido a alterações no índice de massa corporal (IMC) e na circunferência da cintura. Segundo os especialistas, indivíduos que mais tarde foram diagnosticados com demência apresentaram uma perda significativa de peso anos antes de qualquer sintoma cognitivo evidente.Essa alteração pode estar relacionada à dificuldade de manter uma rotina alimentar saudável, seja pela perda do apetite ou pela incapacidade de preparar refeições adequadas, especialmente entre aqueles que vivem sozinhos. Além disso, a redução da gordura corporal pode ser um reflexo das mudanças cerebrais associadas à doença. - Aumento nos níveis de colesterol “bom” (HDL)
Outra descoberta surpreendente foi o aumento dos níveis de colesterol HDL, conhecido popularmente como “colesterol bom”. Embora o HDL seja geralmente associado a benefícios para a saúde cardiovascular, os pesquisadores identificaram que pessoas que posteriormente desenvolveram demência tiveram um aumento significativo desses níveis, cerca de cinco anos antes dos primeiros sintomas cognitivos.Esse aumento pode ser um sinal de alterações metabólicas relacionadas à progressão da doença, indicando que o funcionamento do organismo já começa a ser impactado antes que as funções cerebrais sejam afetadas de maneira mais evidente.
Importância da detecção precoce
As descobertas reforçam a importância do diagnóstico antecipado da demência. Segundo os pesquisadores, a doença passa por uma longa fase pré-clínica, período no qual as mudanças no organismo já estão ocorrendo, mas os sintomas típicos ainda não se manifestaram completamente.
A identificação desses sinais pode possibilitar intervenções precoces, como mudanças na dieta, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico regular, fatores que podem ajudar a retardar o avanço da doença e proporcionar uma melhor qualidade de vida para os pacientes.
Os especialistas destacam que, ao observar essas mudanças, é fundamental procurar um profissional de saúde para uma avaliação detalhada. Compreender os sinais precoces da demência pode ser um passo crucial para minimizar os impactos da doença e oferecer um melhor suporte às pessoas em risco. vER Musculação pode proteger o cérebro de idosos contra demência, revela pesquisa.





