Projeto de lei em Minas quer barrar atendimentos no SUS para bonecas “bebê reborn”

Projeto de lei em Minas quer barrar atendimentos no SUS para bonecas “bebê reborn”

Uma proposta polêmica e inusitada surgiu recentemente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais: um projeto de lei que pretende impedir que unidades públicas de saúde do estado atendam solicitações relacionadas às famosas bonecas “bebê reborn”. O texto propõe ainda aplicar multa a quem tentar utilizar serviços do SUS para cuidar dessas bonecas hiper-realistas. A ideia, que surgiu após casos divulgados nas redes sociais, gerou debate intenso entre parlamentares, profissionais da saúde e a própria população.

Deputado quer frear “abusos” no uso do SUS

O autor do projeto é o deputado estadual Caporezzo (PL), que alegou ter recebido relatos de que pessoas estavam acionando o sistema público de saúde para atender bonecas reborn como se fossem crianças reais. Segundo ele, essa prática representa um uso indevido de recursos públicos e coloca em risco o atendimento de pacientes que realmente precisam de socorro médico urgente.

Caporezzo ainda propõe que, caso a norma seja descumprida, a pessoa responsável arque com uma multa equivalente a dez vezes o valor do serviço utilizado, e esse dinheiro seja revertido para o tratamento de pacientes com transtornos mentais.

A polêmica que começou nas redes sociais

Tudo ganhou força depois que uma influenciadora digital mineira publicou vídeos mostrando que levou sua boneca reborn até uma unidade de saúde. O conteúdo viralizou e dividiu opiniões. Enquanto alguns internautas demonstraram apoio, dizendo que o apego emocional às bonecas pode ser uma forma de terapia, outros acharam absurdo ocupar vagas no sistema público com “brincadeiras de adulto”.

Nas redes sociais, o próprio deputado compartilhou um vídeo ironizando a situação. Ele simulou um diálogo em que uma mulher pede uma certidão de nascimento para sua boneca. Ao fim da encenação, o parlamentar comenta de forma dura: “Levem ela para o hospício”, afirmando que esse tipo de situação “diz muito sobre nossa sociedade”.

Secretarias negam atendimentos, mas alerta é feito

Apesar da repercussão, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte informou que não há registros oficiais de atendimentos prestados a bonecas reborn. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais também foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.

Mesmo assim, Caporezzo defende que o projeto serve como medida preventiva, para garantir que não haja esse tipo de utilização indevida do sistema de saúde, reforçando que o SUS deve estar voltado exclusivamente ao atendimento de seres humanos.

Entre o limite do afeto e a responsabilidade pública

As bonecas reborn são objetos realistas que imitam bebês e, para muitas pessoas, funcionam como válvulas de escape emocional, especialmente em quadros de luto, depressão ou solidão. Porém, quando o envolvimento emocional extrapola e passa a interferir em serviços essenciais — como o atendimento no SUS — surge o debate sobre até onde vai o direito individual e onde começa o dever coletivo de zelar pelos recursos públicos. Veja também Tragédia em Araraquara: bebê de 5 meses chega sem vida em UPA e caso levanta suspeitas.

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