PF e CGU vão pra cima de suposto desvio de R$ 196 milhões na saúde de Santa Catarina

PF e CGU vão pra cima de suposto desvio de R$ 196 milhões na saúde de Santa Catarina

Um esquema milionário envolvendo dinheiro da saúde pública em Santa Catarina está na mira da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. A operação batizada de “Templo Perdido“, deflagrada na manhã desta quarta-feira (14), revelou suspeitas graves de corrupção na gestão de um hospital público em Criciúma, onde o contrato com uma organização social pode ter sido usado para superfaturamento, subcontratações irregulares e até recebimento de propinas. A investigação apura se cerca de R$ 196 milhões, que deveriam ser usados para cuidar da saúde da população, acabaram indo parar em bolsos indevidos.

Contrato suspeito e hospital na mira

O foco da investigação é um contrato firmado entre a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES) e uma organização social, que assumiu a administração de um hospital público em Criciúma entre 2018 e 2023. A instituição de saúde, segundo nota da CGU, é referência no atendimento materno-infantil e conta com 125 leitos, UTI pediátrica, UCI neonatal, maternidade, centro cirúrgico e ainda atendimento ambulatorial em mais de 20 especialidades — além de manter um Banco de Leite Humano.

Apesar dessa estrutura toda, o que chamou atenção das autoridades foi o possível desvio milionário de recursos que deveriam ser destinados ao funcionamento do hospital. A suspeita é de que a organização social contratada realizou subcontratações de forma ilegal, superfaturou serviços e ainda recebeu valores indevidos.

Mandados e cidades envolvidas

A operação mobilizou um efetivo considerável: foram 63 policiais federais e 10 auditores da CGU atuando simultaneamente no cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão. Os alvos estão espalhados por várias cidades catarinenses — como Florianópolis, São José, Biguaçu, Palhoça, Criciúma e Araranguá — e também em Curitiba, no Paraná.

Os investigadores buscam documentos, arquivos e demais evidências que comprovem o suposto esquema de corrupção. Se confirmadas as irregularidades, os envolvidos podem responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Governo atual se posiciona

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde de SC afirmou que a investigação diz respeito exclusivamente à antiga gestão do governo, e que o contrato com a organização social foi assinado ainda em 2018. A atual administração informou que, desde que assumiu em 2023, passou a fiscalizar a execução do contrato e que também acionou o Tribunal de Contas, além de colaborar com a CGU e a PF.

“O foco está em processos de compra e contratos internos dessa OS, e não na atuação do atual governo”, informou a pasta.

Desdobramentos

Agora, a expectativa gira em torno dos desdobramentos da investigação. Se confirmadas todas as irregularidades, o caso pode se transformar em mais um exemplo de como contratos com organizações sociais na saúde pública, se não forem rigorosamente fiscalizados, viram porta de entrada para desvio de dinheiro que deveria salvar vidas. Veja também Quase metade dos pacientes com câncer no SUS enfrenta fila e não consegue iniciar tratamento no prazo.

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