Setembro Amarelo a difícil missão de falar sobre saúde mental

Setembro Amarelo: a difícil missão de falar sobre saúde mental

Setembro chega sempre pintado de amarelo, mas o que muitos ainda não percebem é que essa cor carrega um peso enorme: o alerta para a saúde mental e a luta contra o suicídio. A cada ano, mais de 700 mil pessoas no mundo perdem a vida dessa forma, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para se ter uma ideia, esse número é maior do que as mortes por HIV, malária, câncer de mama, guerras ou homicídios.

E o mais chocante é que 77% dessas perdas acontecem em países de baixa ou média renda, mostrando que, além da dor individual, existe um problema social e de acesso a cuidados de saúde. O Setembro Amarelo nasceu justamente para quebrar o silêncio, abrir espaço para conversas francas e, principalmente, incentivar quem sofre a buscar ajuda sem medo ou vergonha.

A luta contra os estigmas

Médicos e especialistas destacam que ainda existe muito tabu quando o assunto é saúde mental. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, defende a importância de falar abertamente sobre o tema para diminuir preconceitos e incentivar que as pessoas procurem ajuda.

O psiquiatra Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, vice-presidente do CFM, reforça que identificar cedo sinais de transtornos faz toda a diferença, já que um diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento eficaz.

Tratamento exige paciência e apoio

Cavalcanti lembra que os medicamentos psiquiátricos não funcionam da noite para o dia — muitas vezes levam semanas para fazer efeito. Por isso, o acompanhamento da família e a confiança no processo são fundamentais.

Ele também reforça que não se deve esperar uma solução imediata para a dor emocional, pois isso pode desanimar o paciente e comprometer a adesão ao tratamento.

O papel da tecnologia e do cuidado humano

Nos últimos anos, muita gente recorreu a ferramentas tecnológicas, como o ChatGPT e outros recursos online, em busca de respostas rápidas. Para o médico, isso é um modismo que pode até ajudar em alguns momentos, mas nunca substitui a relação humana entre paciente e profissional.

“A máquina não tem o olhar humano, e é esse contato que cria confiança no tratamento”, ressalta.

O trabalho dos voluntários

Apesar de não serem profissionais da saúde, voluntários de instituições como o Centro de Valorização da Vida (CVV) têm um papel essencial. Eles oferecem acolhimento emocional gratuito e anônimo, disponíveis 24 horas por dia no telefone 188.

A própria equipe do CVV orienta quem procura o serviço a buscar atendimento médico ou psicológico, quando necessário.

Números preocupantes no Brasil

Os dados nacionais também assustam: em dez anos, os casos de suicídio aumentaram 43%. Entre adolescentes, esse crescimento foi ainda mais grave, chegando a 81%. Só em 2021, o Brasil registrou mais de 15 mil suicídios, sendo a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos.

A taxa é três vezes maior entre homens, especialmente idosos, mas também preocupa entre meninas adolescentes. Outro dado alarmante é a situação dos povos indígenas, cuja taxa de suicídio é três vezes maior que a da população em geral.

Onde buscar ajuda

Falar sobre suicídio nunca é fácil, mas pode salvar vidas. Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, não hesite em pedir apoio. O CVV atende gratuitamente pelo número 188, por chat no site ou até por e-mail. O mais importante é não enfrentar essa luta sozinho. Setembro é amarelo, mas a esperança pode — e deve — colorir o ano inteiro. Ver Perguntas e respostas sobre suicídio.


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