Vacina contra herpes-zóster pode entrar no SUS e população já pode opinar

Vacina contra herpes-zóster pode entrar no SUS e população já pode opinar

O Ministério da Saúde abriu um espaço para ouvir a população sobre uma possível novidade que pode chegar ao calendário de vacinação do SUS: a imunização contra o herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro. A consulta pública, lançada nesta quarta-feira (17), coloca em discussão a inclusão da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Se aprovada, a medida vai contemplar principalmente idosos a partir de 80 anos e pessoas imunocomprometidas com mais de 18 anos, ou seja, quem tem a defesa do corpo mais enfraquecida e corre maior risco de complicações.

A ideia é que a sociedade participe ativamente, opinando se o investimento é válido diante do impacto da doença, que pode trazer dores intensas e até problemas crônicos.

Como participar da consulta pública

Qualquer pessoa pode enviar sua opinião até o dia 6 de outubro pela plataforma Participa + Brasil. Até agora, mais de 70 contribuições já foram registradas. Para dar sua sugestão, basta preencher o formulário eletrônico e, se quiser, anexar até dois arquivos com documentos de apoio.

Vale lembrar que não é permitido enviar dados pessoais sensíveis ou materiais de terceiros sem autorização.

O que é o herpes-zóster

A doença acontece quando o vírus da catapora (varicela-zóster) “acorda” novamente no organismo. Ela costuma atingir pessoas mais velhas ou com imunidade baixa e causa sintomas como febre, manchas, bolhas e dores fortes.

Em alguns casos, pode evoluir para a chamada neuralgia pós-herpética, que é uma dor crônica persistente mesmo depois que as lesões desaparecem. Só entre 2008 e 2024, o SUS registrou mais de 85 mil atendimentos ambulatoriais, 30 mil internações e mais de 1,5 mil mortes relacionadas ao problema.

Como funciona a vacina

A vacina avaliada é recombinante e adjuvada. Ela usa uma proteína do próprio vírus combinada a um adjuvante — uma substância que ajuda o sistema imunológico a reagir de forma mais eficaz. A aplicação é intramuscular, feita em duas doses, com dois meses de intervalo entre elas.

Estudos já apontaram eficácia acima de 80% na prevenção da doença e das dores crônicas que podem vir depois. Os efeitos colaterais mais relatados foram dor no braço, cansaço, febre leve, dor de cabeça e dores musculares — em geral, considerados leves ou moderados.

O desafio do custo

Apesar da eficácia e da segurança já comprovadas, o grande obstáculo está no preço. O Ministério da Saúde estima que o investimento seria de cerca de R$ 5,2 bilhões em cinco anos, valor considerado alto para o SUS. Por isso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) ainda não bateu o martelo e quer ouvir a população antes de tomar uma decisão definitiva. Ver tambem A vacinação representa a forma mais eficiente de evitar doenças.

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