SUS contabiliza recorde de atendimentos ligados à infertilidade masculina

SUS contabiliza recorde de atendimentos ligados à infertilidade masculina

A busca por ajuda médica para infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) apresentou um crescimento expressivo na última década. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o volume de atendimentos saltou de 725, em 2015, para 2,5 mil em 2024, consolidando o maior número já registrado na série histórica.

Especialistas apontam que esse fenômeno é resultado de uma “tempestade perfeita”: a queda de tabus comportamentais, a retomada de serviços represados pela pandemia e o agravamento de hábitos de vida pouco saudáveis.

Por que os homens estão procurando mais o SUS?

O aumento de mais de 240% nos registros não indica necessariamente que o homem brasileiro está “menos fértil”, mas sim que ele está indo mais ao médico. Segundo urologistas, o fim do estigma de que a dificuldade para engravidar é um “problema feminino” tem acelerado a investigação do casal.

Entretanto, fatores ambientais e de saúde pública também pesam na balança:

  • Impacto Pós-Pandemia: Após 2021, houve uma corrida para atualizar exames e consultas interrompidas pelo isolamento.
  • Crise de Estilo de Vida: A obesidade e o sedentarismo afetam diretamente a produção de espermatozoides.
  • Uso de Substâncias: O aumento no consumo de anabolizantes e testosterona exógena tem causado infertilidade secundária em homens jovens.

As principais causas da dificuldade de engravidar no homem

Diferente do que muitos acreditam, a infertilidade masculina é silenciosa e raramente afeta o desempenho sexual. Estudos indicam que o fator masculino está presente em até 50% dos casos de dificuldade de concepção.

Fatores Clínicos e de Estilo de Vida:

  1. Varicocele: A dilatação das veias dos testículos é a causa tratável mais comum.
  2. Idade Paterna: Após os 40 anos, a qualidade genética e a mobilidade do sêmen declinam gradualmente.
  3. Calor e Poluição: A exposição excessiva ao calor (comum em certas profissões) e agrotóxicos prejudica a produção seminal.
  4. Doenças e Infecções: DSTs como a clamídia, se não tratadas, podem deixar sequelas permanentes no sistema reprodutor.

Importante: O uso de testosterona para “melhorar a performance” é um dos maiores vilões modernos da fertilidade, agindo como um contraceptivo que interrompe a produção natural de espermatozoides.

Diagnóstico e Tratamento: O caminho para a paternidade

O diagnóstico inicial é simples e começa com o espermograma, exame que avalia a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. O acompanhamento com um urologista ou andrologista permite identificar se o caso é reversível com mudanças de hábito ou cirurgia (como no caso da varicocele), ou se exigirá técnicas de reprodução assistida.

Especialistas reforçam: a investigação deve ser simultânea. Esperar para avaliar o homem apenas após exaustivos exames na mulher pode atrasar o sonho da gravidez em anos.

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