Bradisfigmia- TERMO TÉCNICO DE ENFERMAGEM

Bradisfigmia

A bradisfigmia é um termo técnico usado em semiologia para descrever pulso arterial lento, ou seja, uma diminuição da frequência do pulso percebida durante a palpação. Apesar de muitos profissionais pronunciarem ou escreverem incorretamente como “bradisfimia” ou “bradifismia”, o termo correto é BRADISFIGMIA, com a raiz “sfigmo” (do grego sphygmós = pulso). Portanto, é fundamental compreender não apenas o termo correto, mas também seu significado clínico e sua importância na avaliação do paciente.

A bradisfigmia está frequentemente associada à bradicardia, que é a redução da frequência cardíaca para menos de 60 batimentos por minuto (bpm) em adultos. No entanto, os termos não são sinônimos absolutos. Bradicardia é um achado cardíaco (elétrico), enquanto bradisfigmia é um achado periférico (pulso). Ou seja, uma pessoa pode ter bradicardia no eletrocardiograma, mas o pulso pode estar difícil de palpar ou até irregular, e vice-versa. Por isso, a avaliação do pulso é parte essencial do exame físico de enfermagem e medicina. Ver Detecção precoce de alterações no pulso e pressão arterial: técnicas e interpretação de resultados.

Conceito de pulso arterial

O pulso é a expansão rítmica das artérias causada pela ejeção de sangue pelo ventrículo esquerdo durante a sístole cardíaca. Ao palpar uma artéria periférica (como radial, carótida ou femoral), é possível avaliar:

  • Frequência (número de pulsações por minuto)
  • Ritmo (regular ou irregular)
  • Amplitude (forte ou fraca)
  • Tensão (resistência da parede arterial)

A bradisfigmia corresponde à redução da frequência do pulso, geralmente abaixo de 60 pulsações por minuto em adultos.

Termo incorreto x termo correto

Muitas pessoas utilizam de forma equivocada os termos:

❌ Bradisfimia
❌ Bradifismia
❌ Bradisficmia

✅ O correto: BRADISFIGMIA

A palavra vem de:

  • “Bradi” = lento
  • “Sfigmo” = pulso
  • “mia” = condição

Portanto, bradisfigmia significa literalmente pulso lento.

Diferença entre bradisfigmia e bradicardia

Embora relacionados, os termos não são idênticos.

Bradicardia:

  • Alteração elétrica do coração
  • Avaliada por monitor cardíaco ou eletrocardiograma (ECG)

Bradisfigmia:

  • Alteração percebida no pulso periférico
  • Avaliada pela palpação manual

Em situações de bloqueios cardíacos ou arritmias, pode haver dissociação pulso-batimento, ou seja, nem todo batimento gera pulso palpável. Isso torna a bradisfigmia um sinal clínico importante.

Valores de referência

  • Adultos: normal 60 a 100 bpm
  • Bradisfigmia: < 60 bpm
  • Atletas podem ter 40–50 bpm em repouso (fisiológico)
  • Crianças e bebês: valores normais mais altos

Causas de bradisfigmia

1. Fisiológicas (normais)

  • Sono profundo
  • Atletas bem condicionados
  • Repouso prolongado
  • Estímulo vagal (relaxamento, meditação)

2. Farmacológicas

  • Betabloqueadores (propranolol)
  • Digitálicos (digoxina)
  • Antiarrítmicos
  • Bloqueadores de canal de cálcio
  • Sedativos

3. Patológicas (doenças)

  • Hipotireoidismo
  • Hipotermia
  • Hipertensão intracraniana
  • Hipoglicemia grave
  • Doença do nó sinusal
  • Bloqueios atrioventriculares
  • Infarto agudo do miocárdio inferior
  • Insuficiência cardíaca
  • Hipercalemia

4. Reflexo vagal exagerado

  • Vômito
  • Tosse intensa
  • Estímulo ocular ou carotídeo
  • Dor intensa
  • Manobra de Valsalva (esforço para evacuar)

Sinais e sintomas associados

A bradisfigmia pode ser assintomática em indivíduos saudáveis, mas em casos patológicos pode causar:

  • Tontura
  • Fraqueza
  • Palpitações
  • Sonolência
  • Desmaios (síncopes)
  • Dor no peito
  • Dispneia
  • Fadiga extrema
  • Hipotensão
  • Confusão mental

Avaliação clínica do pulso

A enfermagem deve palpar artérias periféricas, preferencialmente artéria radial, por 1 minuto. Avaliar:

  • Frequência
  • Ritmo
  • Força
  • Comparação com outros pulsos

Se o pulso for fraco ou irregular, deve-se auscultar o precórdio com estetoscópio para confirmar a frequência cardíaca.

Diagnóstico

O diagnóstico de bradisfigmia é clínico, baseado na palpação, mas a causa deve ser investigada com:

  • Eletrocardiograma (ECG)
  • Holter 24h
  • Ecocardiograma
  • Dosagem de eletrólitos
  • Função tireoidiana
  • Exames toxicológicos
  • História medicamentosa

Tipos de bradicardia relacionadas

  • Sinusal
  • Sinusal com bloqueio
  • Bloqueio atrioventricular 1º, 2º e 3º grau
  • Bradicardia juncional
  • Dissociação atrioventricular

Cada uma tem implicações diferentes no pulso.

Tratamento

O tratamento depende da causa:

Se fisiológica

  • Nenhum tratamento necessário

Se medicamentosa

  • Ajuste ou suspensão da medicação

Se hipotireoidismo

  • Reposição hormonal

Se bloqueio cardíaco grave

  • Marca-passo definitivo

Em emergências

  • Atropina IV
  • Marca-passo transcutâneo
  • Dopamina ou adrenalina (suporte hemodinâmico)

Importância na prática de enfermagem

A enfermagem tem papel crítico na identificação precoce da bradisfigmia, especialmente em leitos clínicos, UTI, emergência e centro cirúrgico.

Atribuições da enfermagem:

  • Avaliar pulso corretamente
  • Monitorar sinais vitais
  • Identificar sintomas associados
  • Avaliar uso de medicamentos que causam bradicardia
  • Comunicar imediatamente alterações
  • Preparar paciente para exames (ECG, Holter)
  • Apoiar diagnóstico médico
  • Monitorar após administração de betabloqueadores ou digitálicos
  • Prestar assistência em uso de marca-passo

Bradisfigmia em emergências

Situações que exigem atenção imediata:

  • Bradicardia < 40 bpm
  • Queda da pressão arterial
  • Síncope
  • Alteração de consciência
  • Dor torácica
  • Choque
  • Bloqueio AV completo

A bradisfigmia pode ser um sinal de parada iminente. Nestes casos, a equipe deve agir com rapidez.

Educação do paciente

A enfermagem deve orientar sobre:

  • Uso correto de medicamentos
  • Evitar automedicação
  • Monitorar sintomas
  • Procurar atendimento em caso de tontura, desmaio ou dor torácica
  • Manter alimentação e hidratação adequadas
  • Aderir a consultas cardiológicas

Conclusão

A bradisfigmia é um sinal clínico importante que indica pulso arterial lento. O termo correto é BRADISFIGMIA com “G”, e não “bradisfimia” ou outras variações incorretas. Embora frequentemente associada à bradicardia, é fundamental distinguir que a bradisfigmia é avaliada pelo pulso periférico, enquanto a bradicardia é identificada por meio da atividade elétrica cardíaca.

A bradisfigmia pode ser fisiológica, farmacológica ou patológica. Quando sintomática ou associada a alterações cardíacas, pode representar risco à vida e requer intervenção imediata. O papel da enfermagem é essencial na avaliação do pulso, monitoramento dos sinais vitais, identificação de sintomas associados, comunicação com a equipe multiprofissional e implementação de cuidados de prevenção e segurança.

Reconhecer a bradisfigmia com precisão é uma habilidade clínica indispensável para a enfermagem, contribuindo para diagnóstico precoce, tratamento adequado e redução de complicações cardiovasculares.

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