O curativo compressivo é uma técnica utilizada para aplicar pressão controlada sobre uma ferida ou região do corpo, com o objetivo de conter sangramentos, reduzir edema, promover hemostasia, melhorar o retorno venoso e estabilizar tecidos. É amplamente usado em feridas traumáticas, cirúrgicas, úlceras venosas, hematomas e situações de emergência. É um tipo de curativo realizado pela enfermagem com o emprego de pressão sobre o local. Geralmente para comprimir sangramentos.
Diferente do curativo frouxo ou seco, o curativo compressivo aplica pressão direta e contínua, devendo ser realizado com conhecimento técnico para evitar complicações como isquemia e necrose. Por isso, é considerado um dos curativos que mais exigem atenção da enfermagem. Ver Cuidados de enfermagem com o corpo do paciente após o óbito.
O que é curativo compressivo?
É um tipo de curativo em que se exerce pressão externa sobre a ferida ou membro, utilizando camadas de gaze, compressas e ataduras, com a finalidade de:
- Conter hemorragias
- Diminuir edema
- Estabilizar estruturas
- Favorecer retorno venoso
- Controlar exsudato
- Reduzir formação de hematomas
A pressão deve ser suficiente para atingir o objetivo, mas não tão forte a ponto de interromper a circulação arterial.
Indicações do curativo compressivo
O curativo compressivo é indicado em diversas situações clínicas:
1. Controle de sangramento (hemostasia)
- Hemorragias externas
- Sangramentos pós-cirúrgicos
- Lacerações
- Epistaxe (nariz) com taponamento
2. Úlceras venosas (varicosas)
- Melhora do retorno venoso
- Reduz edema
- Tratamento padrão ouro para insuficiência venosa
3. Edema e linfedema
- Diminui o acúmulo de líquido intersticial
- Auxilia drenagem linfática
4. Hematomas e contusões
- Prevê expansão do hematoma
- Compressão de tecidos moles
5. Imobilização leve e suporte
- Entorses leves
- Pós-operatório de varizes
- Contenção de enxertos cutâneos
6. Fixação de curativos ou drenos
- Manter curativo firme
- Evitar deslocamento
Contraindicações do curativo compressivo
NÃO deve ser utilizado em:
- Doença arterial periférica (DAP)
- Isquemia ou necrose
- Infecção profunda sem drenagem
- Trombose venosa profunda aguda sem avaliação médica
- Insuficiência cardíaca descompensada
- Fraturas não estabilizadas
- Pele extremamente frágil ou ulcerada
A compressão inadequada pode causar comprometimento vascular grave.
Materiais utilizados
- Gaze estéril
- Compressas
- Atadura de crepe
- Bandagem elástica (rolo ou bota)
- Ataduras de alta compressão (Unna, bota de Unna, bota de zinco)
- Meias de compressão graduada
- Fita microporosa ou esparadrapo
Tipos de curativo compressivo
1. Compressão simples
- Gaze + atadura
- Usado em sangramento e pequenas lesões
2. Compressão moderada
- Múltiplas camadas com atadura elástica
- Edema leve a moderado
3. Compressão graduada
- Maior pressão no tornozelo e menor na panturrilha
- Úlceras venosas
- Melhora circulação
4. Bota de Unna (compressão inelástica)
- Atadura com pasta de óxido de zinco
- Excelente para insuficiência venosa crônica
5. Meias elásticas de compressão
- Profilaxia de trombose venosa
- Tratamento a longo prazo
6. Compressão com taponamento
- Hemorragias internas superficiais
- Epistaxe
- Pós-cirurgia
Técnica correta de curativo compressivo (passo a passo)
- Higienização das mãos e EPIs
- Avaliação da ferida e do membro (cor, temperatura, pulsos, edema, dor)
- Limpeza da ferida com soro fisiológico
- Aplicação de gaze ou cobertura primária sobre a ferida
- Uso de compressas para distribuir pressão uniforme
- Enfaixamento com atadura:
- Começar da região mais distal (ex: pé) em direção proximal (perna)
- Utilizar técnica em espiral ou em 8
- Manter pressão firme, mas sem dor ou formigamento
- Verificar circulação distal
- Cor da pele
- Temperatura
- Pulsos arteriais
- Preenchimento capilar
- Identificar o curativo com data e hora
- Registrar tudo no prontuário
Avaliação após aplicação
Após aplicar o curativo compressivo, a enfermagem deve reavaliar em 10 a 15 minutos:
- Cor do membro
- Temperatura
- Dor
- Sensibilidade
- Mobilidade
- Pulsos
- Inchaço acima ou abaixo do curativo
Se houver sinais de compressão excessiva, é necessário afrouxar ou refazer o curativo imediatamente.
Vantagens do curativo compressivo
✅ Controla sangramento
✅ Reduz edema e hematoma
✅ Favorece cicatrização em úlceras venosas
✅ Estabiliza lesões musculoesqueléticas leves
✅ Melhora retorno venoso
✅ Previne trombose em alguns casos
✅ Auxilia enxertos de pele
✅ Promove hemostasia após punções ou cirurgias
Riscos e complicações
❌ Dor intensa (compressão excessiva)
❌ Alteração de cor (pálido, cianótico)
❌ Formigamento ou dormência
❌ Perda de sensibilidade
❌ Isquemia ou necrose
❌ Lesão de nervos periféricos
❌ Atraso na cicatrização
❌ Formação de bolhas ou feridas
❌ Insuficiência arterial
❌ Trombose se mal aplicado
Papel da enfermagem
A enfermagem é RESPONSÁVEL por:
- Avaliar a necessidade da compressão
- Selecionar o material adequado
- Aplicar a técnica corretamente
- Monitorar circulação distal
- Prevenir complicações
- Registrar a evolução
- Educar o paciente sobre sinais de alerta
- Trabalhar com equipe multiprofissional
- Ajustar compressão conforme prescrição médica
Sinais de alerta (o paciente deve ser orientado a avisar imediatamente)
- Dor intensa
- Formigamento
- Frio ou dormência
- Inchaço exagerado acima do curativo
- Cor arroxeada ou pálida
- Incapacidade de mexer os dedos
- Sensação de aperto extremo
Se qualquer desses sinais ocorrer, o curativo deve ser reavaliado rapidamente.
Frequência de troca
- Curativos de sangramento: até cessar o sangramento
- Úlceras venosas: 1–2 vezes por semana (curativos modernos)
- Bandagens elásticas: diariamente ou conforme saturação
- Meias de compressão: uso diário, troca conforme desgaste
Educação do paciente
A enfermagem deve orientar sobre:
- Manter o curativo limpo e seco
- Elevar o membro quando possível
- Evitar ficar em pé por longos períodos
- Não remover o curativo sem orientação
- Observar cor da pele e dor
- Não coçar ou manipular a bandagem
Conclusão
O curativo compressivo é uma técnica essencial na enfermagem e na medicina, utilizada para controlar sangramento, reduzir inchaço, tratar úlceras venosas, prevenir complicações vasculares e promover cicatrização. Quando aplicado corretamente, melhora significativamente o prognóstico de diversos tipos de feridas.
No entanto, é uma técnica de alto risco se mal executada, pois a compressão excessiva pode causar isquemia, necrose e até perda de membro. Por isso, exige conhecimento anatômico, prática, avaliação constante e monitorização rigorosa.
A enfermagem tem papel central nesse processo: avaliar, aplicar, monitorar, educar e registrar. Um curativo compressivo bem-feito representa cuidado seguro, eficaz e humanizado — pilares fundamentais da assistência em saúde.





