A administração de medicamentos é um dos atos mais comuns e críticos realizados por profissionais de enfermagem em todo o Brasil. Considerada uma atividade técnica de alta responsabilidade, ela exige atenção máxima, preparo, domínio das normas de segurança e clareza na interpretação de prescrições médicas. No entanto, erros ainda ocorrem diariamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) — e os impactos para o paciente e para a equipe de saúde podem ser graves.
Mas por que, mesmo com formação técnica e experiência, enfermeiros, técnicos e auxiliares continuam cometendo erros ao administrar medicamentos?
Essa é uma pergunta crucial para qualquer instituição de saúde que preze pela segurança e qualidade do cuidado. Um estudo realizado com profissionais atuantes em UBS revelou os fatores mais citados que contribuem para os erros na hora de medicar — e os resultados são um verdadeiro alerta para gestores e profissionais da enfermagem.
Quais fatores levam os profissionais a errar na administração de medicamentos?
O levantamento, feito com base nas opiniões de 37 profissionais da enfermagem que atuavam diretamente na administração de medicamentos, indicou que a maioria dos erros ocorre por fatores relacionados ao próprio profissional. Veja os dados mais relevantes:
1. Falta de atenção e distração (33,8%)
Esse foi o fator mais citado entre todos os entrevistados. A distração durante o preparo ou administração do medicamento pode ocorrer por diversas razões: cansaço, ambiente agitado, interrupções constantes, acúmulo de funções e até excesso de confiança na prática cotidiana. Mesmo os profissionais mais experientes podem se equivocar ao pular etapas básicas, como checar o nome do paciente, a dose, a via de administração e o horário.
2. Dificuldade para entender a prescrição médica (18,2%)
A famosa “letra do médico” ainda é um dos grandes vilões da administração segura. Prescrições ambíguas, rasuradas ou ilegíveis dificultam a compreensão e podem levar a equívocos graves. Os profissionais relataram, inclusive, que muitas vezes têm receio de questionar o médico ou perdem tempo tentando decifrar as anotações, o que aumenta a probabilidade de erro.
3. Falta de conhecimento técnico e preparo (16,9%)
Muitos erros ocorrem por desconhecimento da farmacodinâmica dos medicamentos, da técnica correta de administração ou das especificidades da medicação. Falhas como aplicar por via incorreta, usar diluição errada ou ignorar contraindicações específicas poderiam ser evitadas com atualização profissional constante e treinamentos periódicos.
4. Sobrecarga de trabalho (11,6%)
A escassez de recursos humanos nas UBS leva ao acúmulo de funções por parte dos profissionais de enfermagem. Em muitas unidades, o mesmo profissional realiza atividades de triagem, medicação, vacinação, curativos, acolhimento e registro. Essa multiplicidade de tarefas favorece a pressa, o estresse e a fadiga, abrindo espaço para falhas na execução.
5. Estresse, cansaço e negligência ocasional
Fatores emocionais também foram citados, embora em menor frequência. Um profissional emocionalmente abalado, com problemas pessoais ou sofrendo desgaste psicológico, está mais propenso a perder o foco e cometer falhas. Da mesma forma, atitudes de negligência, como não conferir a prescrição por confiar no hábito ou não seguir o protocolo, podem ser perigosas.
O que diz a literatura sobre esses fatores?
Os achados desse estudo vão ao encontro de pesquisas internacionais. Autores como Pepper (1995) e Williams (1996) apontam que fatores como estresse, distração, falta de informação sobre o medicamento, falhas na leitura de rótulos e ausência de conferência da prescrição são causas frequentes de erros.
Já Wolf (1989) classificou os erros como de autoridade e omissão, destacando que tanto os erros intencionais (por exemplo, não administrar um medicamento deliberadamente) quanto os não intencionais (por falha acidental) são expressões do mesmo problema: um sistema que não favorece a atenção plena e a checagem cuidadosa.
A solução está no preparo e na estrutura
Para combater esses fatores de risco, é preciso investir em educação continuada, cultura de segurança e melhores condições de trabalho. O estudo destaca que medidas simples, como pausas estratégicas, criação de ambientes silenciosos para o preparo de medicamentos e estímulo ao trabalho em dupla nas checagens, podem salvar vidas.
Além disso, é essencial garantir que todo profissional se sinta seguro para perguntar, revisar e relatar erros. O medo de punição leva à subnotificação, o que impede a análise e correção de falhas sistêmicas. Instituições devem promover uma cultura de acolhimento e aprendizado contínuo.
O papel do enfermeiro como líder da equipe
Enfermeiros devem assumir uma postura ativa na supervisão das boas práticas de medicação. Cabe a eles orientar, revisar rotinas, apoiar os colegas e liderar iniciativas de capacitação. A liderança ética e educativa é o caminho mais eficaz para reduzir os riscos e fortalecer a qualidade do cuidado.
Conclusão: errar é humano, mas prevenir é obrigação
A administração de medicamentos não é uma tarefa automática. Requer presença mental, conhecimento atualizado e um ambiente institucional que favoreça o foco, a comunicação e a valorização do profissional de enfermagem.
Ao compreender os fatores que levam aos erros, podemos atuar diretamente na raiz do problema e construir práticas mais seguras. A solução não está em culpar, mas em treinar, ouvir, reorganizar e apoiar.
🚨 Curso Online inédito: Como Evitar Erros de Enfermagem
Para quem quer se aprofundar no tema, refletir sobre os fatores de risco e melhorar sua prática, está disponível o curso gratuito:
💊 “Como Evitar Erros de Enfermagem”
✅ Curso 100% online e com certificado de 60h
✅ Disponível pela plataforma AVA SOU ENFERMAGEM
✅ Indicado para estudantes, auxiliares, técnicos e enfermeiros
📝 Inscrições abertas a partir de 26 de maio de 2025. Aproveite esta oportunidade gratuita e se capacite!





