O diagnóstico da atriz Cleo Pires sobre a doença de Hashimoto, revelado ao público em 2023, trouxe à tona uma condição autoimune que afeta milhões de pessoas no mundo e que, se negligenciada, pode comprometer seriamente a saúde física e mental. A médica integrativa Olívia Grimaldi, em entrevista recente, destacou que, mesmo em seus estágios iniciais, a doença pode desencadear uma série de sintomas que vão desde fadiga crônica até alterações hormonais e metabólicas, dificultando tarefas rotineiras e impactando profundamente a qualidade de vida — especialmente no caso das mulheres.
Entenda a doença de Hashimoto e seus impactos
A tireoidite de Hashimoto é uma enfermidade autoimune na qual o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, prejudicando sua capacidade de produção hormonal. Essa disfunção compromete o metabolismo e pode levar a sintomas persistentes, como exaustão, depressão resistente, dificuldade de concentração e problemas intestinais.
A médica explica que o diagnóstico exige exames específicos, além dos padrões convencionais, como avaliação do T4 livre, T3 livre, anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina, além da ultrassonografia da tireoide.
Sintomas que podem passar despercebidos por anos
Olívia Grimaldi destaca que muitos pacientes convivem com sintomas durante anos sem um diagnóstico adequado, justamente por desconhecimento ou interpretação equivocada dos exames. Entre os sinais mais comuns, estão o sono não reparador, alterações intestinais, irregularidades menstruais, queda de cabelo, pele ressecada e até oscilações emocionais.
“É comum ver mulheres saindo do consultório apenas com um comprimido na mão e sem qualquer orientação sobre o que está de fato acontecendo com o corpo delas”, alerta.
Consequências a longo prazo podem ser graves
Quando a tireoidite de Hashimoto não é tratada de forma abrangente, as complicações tendem a se agravar. A curto prazo, podem surgir alterações nos níveis de colesterol, infertilidade e distúrbios gastrointestinais. Já em cenários mais prolongados, há risco do desenvolvimento de outras doenças autoimunes associadas, como lúpus, artrite reumatoide e doença celíaca.
Segundo Grimaldi, o cuidado com a saúde da mulher deve ser feito de maneira individualizada, levando em consideração fatores hormonais, emocionais e nutricionais.
Importância de uma abordagem integrativa no tratamento
Para a especialista, não basta apenas prescrever hormônios sintéticos. O tratamento eficaz envolve uma compreensão mais profunda do paciente, passando pela investigação de deficiências nutricionais, equilíbrio do estilo de vida, apoio psicológico e reeducação alimentar.
“A medicina integrativa permite uma visão completa da mulher, tratando não só os sintomas, mas a causa real do problema”, defende.
Cleo Pires como símbolo de conscientização
Ao compartilhar sua experiência, Cleo contribuiu significativamente para que outras mulheres reconheçam os sinais e busquem apoio médico especializado. Sua fala pública serve como alerta e encorajamento para que o diagnóstico precoce seja prioridade, e que o tratamento vá além do convencional, abrangendo o corpo e a mente em sua totalidade. Ver também Crise silenciosa: como o trabalho moderno está afetando a saúde mental e física da população.





