COFEN DEFENDE URGÊNCIA TÉCNICA

Uma discussão crucial sobre a estruturação do Atendimento Pré-Hospitalar (APH) móvel no Brasil ganha destaque com a manifestação do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). A entidade defende a manutenção de um número mínimo de profissionais de enfermagem nas equipes de Suporte Básico de Vida (SBV) e o reconhecimento formal de novas modalidades de atendimento, visando aprimorar o acesso e a qualidade da assistência em urgências.

A recente revisão da Política Nacional de Atenção às Urgências pelo Ministério da Saúde abriu espaço para debates sobre a organização dos serviços. Nesse contexto, o Cofen busca influenciar a definição de diretrizes que fortaleçam a atuação da enfermagem, considerada pilar fundamental para a resposta efetiva em situações de emergência.

A proposta central do Cofen envolve a garantia de, no mínimo, dois profissionais de enfermagem atuando em conjunto com um condutor de ambulância nas equipes de SBV. Essa configuração visa assegurar uma cobertura assistencial mais robusta e qualificada para a população atendida.

A autarquia também advoga pelo reconhecimento formal do conceito de Suporte Intermediário de Vida (SIV). Esta modalidade se propõe a preencher lacunas assistenciais, oferecendo um nível de cuidado superior ao SBV sem necessariamente demandar a complexidade de uma Unidade de Suporte Avançado (USA).

A atuação do enfermeiro nas Centrais de Regulação das Urgências é outro ponto enfatizado. A presença desses profissionais é vista como essencial para a triagem adequada, orientação e coordenação da resposta aos chamados de emergência, otimizando o fluxo de atendimento.

O Impacto da Enfermagem no SAMU e nas Urgências

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) é um componente vital da Rede de Atenção às Urgências e Emergências do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua eficiência depende intrinsecamente da qualidade e da organização das equipes que o compõem, onde a enfermagem desempenha um papel estratégico.

Profissionais de enfermagem não se limitam ao cuidado direto ao paciente, mas também realizam a crucial tarefa de classificação de risco, direcionando o atendimento mais adequado à criticidade de cada caso. Essa função é vital para a otimização de recursos e para a garantia de que os casos mais graves recebam atenção prioritária.

A complexidade do atendimento pré-hospitalar, muitas vezes envolvendo condições clínicas que exigem avaliação e decisão rápidas, sublinha a importância de equipes bem dimensionadas e qualificadas. A enfermagem, com sua formação e expertise, contribui significativamente para essa resposta.

A necessidade de ampliar o acesso aos serviços de urgência, especialmente em regiões remotas ou com pouca cobertura médica, reforça a demanda por modelos de atendimento flexíveis e eficientes. O Cofen argumenta que a enfermagem pode ser uma solução para mitigar esses desafios.

A integração do enfermeiro nas centrais de regulação permite uma articulação mais efetiva com a rede de saúde, facilitando a continuidade do cuidado e a referência adequada dos pacientes aos serviços hospitalares ou ambulatoriais mais apropriados.

Segurança do Paciente e Fortalecimento do SUS

A defesa por um mínimo de dois profissionais de enfermagem nas equipes de Suporte Básico de Vida não é apenas uma questão de quantidade, mas sim de qualidade e segurança. Um contingente maior permite a divisão de tarefas, o monitoramento contínuo e uma resposta mais ágil em situações de alta demanda.

O conceito de Suporte Intermediário de Vida, ao ser formalizado, pode oferecer uma camada adicional de atendimento entre o básico e o avançado, otimizando a intervenção em casos que não demandam uma equipe médica completa, mas que se beneficiam de uma expertise aprimorada em relação ao SBV.

A organização do APH como parte integrante de uma estratégia maior de atenção às urgências é fundamental. Isso implica reconhecer que o atendimento pré-hospitalar móvel não é apenas transporte, mas uma ação de saúde que exige conhecimento técnico e capacidade de decisão.

A revisão da política nacional representa uma oportunidade para alinhar as práticas com as necessidades contemporâneas do SUS, promovendo um sistema mais equitativo e resolutivo. A enfermagem tem um papel central nesse processo de qualificação.

O fortalecimento do SUS passa, invariavelmente, pela valorização e pelo reconhecimento adequado de suas equipes profissionais. Garantir a presença de enfermeiros qualificados em todos os pontos de atenção, incluindo as centrais de regulação e as ambulâncias, é um passo essencial para a segurança e a eficácia do sistema.

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