Uma tragédia envolvendo negligência médica choca o Amazonas. Um menino de apenas 6 anos morreu após receber adrenalina por via intravenosa quando o correto seria administração por inalação. O caso levanta questionamentos sobre segurança em hospitais, protocolos de medicação e responsabilidade profissional.
O que aconteceu
No hospital particular Hospital Santa Júlia, o menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, foi atendido com queixa respiratória. A prescrição feita pela médica Juliana Brasil Santos incluía nebulização com adrenalina. Porém, por erro, a droga acabou sendo administrada por via intravenosa — numa dose de 3 ml, repetida a cada 30 minutos.
A criança passou mal logo após a primeira aplicação. Foi encaminhada à UTI, sofreu seis paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.
Confissão de erro
Em documento enviado à polícia e no prontuário, a médica admite ter cometido o erro: a adrenalina deveria ser inalada, mas foi aplicada por via venosa. Em mensagens enviadas à direção do hospital, ela chegou a escrever: “Pelo amor de Deus, eu errei a prescrição”. A técnica de enfermagem, que fez a aplicação conforme a prescrição, também prestou depoimento.
Consequências institucionais e legais
- A médica e a técnica foram afastadas imediatamente; o hospital também iniciou investigação interna.
- A polícia instaurou inquérito para apurar o caso como possível homicídio doloso qualificado.
- Apesar do pedido de prisão preventiva, a médica obteve habeas corpus e responderá ao processo em liberdade.
- O episódio gerou comoção pública e críticas à gestão de segurança do hospital.
Por que o caso chocou profissionais e a sociedade
A administração de adrenalina por via intravenosa em crianças pequenas exige precisão extrema — doses e vias incorretas podem ser fatais. Esse caso reflete falhas graves em:
- Checagem e validação da prescrição médica;
- Supervisão efetiva da equipe de enfermagem;
- Protocolos internos de segurança para medicações de alto risco;
- Capacitação da equipe em emergências pediátricas.
Lições e urgência de mudança
Para evitar novas tragédias, é essencial que hospitais reforcem:
- Protocolos rigorosos de verificação de prescrição e via de administração;
- Treinamento contínuo de equipes médicas e de enfermagem — especialmente em pediatria e emergências;
- Auditoria de segurança para medicações críticas;
- Transparência institucional e accountability em erros e falhas.




