Visão geral
É provável que você já tenha lido nesses últimos dias alguma notícia sobre o recente surto de casos de diarreia em Santa Catarina (principalmente na parte litorânea do estado) que, até o momento em que essa matéria está sendo escrita, já ultrapassou mais de 21 mil casos. A Doença Diarreica Aguda (DDA) é definida quando há pelo menos três episódios de diarreia em 24 horas, com fezes aquosas e aumento do número de evacuações, podendo vir acompanhada de náusea, vômito, cólicas abdominais, dor abdominal, febre e sangue ou muco nas fezes. A doença é causada por bactérias, vírus e parasitas, que provocam gastroenterite, inflamação do estômago e do intestino.
Início e principais causas da transmissão
O aumento de casos começou a ser notado a partir de 2 de janeiro de 2026, quando equipes de vigilância registraram uma elevação expressiva de atendimentos em unidades de saúde por sintomas de DDA, levando a SES (Secretaria de Estado da Saúde) a acompanhar o cenário com atenção desde o início do ano – e desde então os casos têm crescido de forma alarmante. Ao que se sabe, hoje, 288 de 295 municípios catarinenses registraram casos de DDA.
Os dados dos casos são monitorados por meio da Vigilância Epidemiológica, a partir das notificações realizadas pelas unidades de saúde em todo o estado, com notificações vindas de UBS, UPAs e hospitais.
As cidades catarinenses com o maior número de casos de DDA são: Itajaí (2.436 casos), Florianópolis (1.420), Chapecó (1.256), Balneário Camboriú (1.099), Brusque (946) entre outros municípios com números expressivos de registros. A DDA é uma das principais causas de atendimento ambulatorial no verão em regiões com grande fluxo turístico.
A elevação de casos de diarreia em SC nesta temporada está sendo associada a um conjunto de fatores que favorecem a transmissão de agentes infecciosos (bactérias, vírus e parasitas) ou a contaminação alimentar/da água:
1 – Temperaturas mais altas no verão: o calor acelera a multiplicação de microrganismos em água e alimentos, especialmente quando a refrigeração e conservação são precárias.
2 – Aumento populacional em áreas turísticas: há a possibilidade de ter sobrecarga nos sistemas de esgotamento e saneamento no litoral, aumentando o risco de contaminação de água e superfícies.
3 – Consumo de alimentos fora de casa: maior ingestão de comida de ambulantes, lanches rápidos ou cuidados inadequados com higiene podem elevar o risco de intoxicação ou infecção intestinal.
4 – Água ou praias impróprias para banho: em pontos turísticos como Bombinhas, a balneabilidade de diversas praias foi considerada imprópria em análises recentes, o que aumenta a probabilidade de contato com microrganismos na água.
5 – Transmissão entre pessoas e contato com superfícies contaminadas: a diarreia infecciosa pode ser transmitida por mãos ou objetos contaminados, especialmente em locais com grande circulação de pessoas.
Cuidados e prevenções
Apesar de muitos casos serem leves, a diarreia pode evoluir para quadros graves, especialmente quando há desidratação, febre persistente, vômitos frequentes ou presença de sangue nas fezes. A doença pode afetar a todos, mas os grupos mais vulneráveis são os que possuem maior risco de desidratação e complicações, como crianças menores de 5 anos, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas (que apresentam enfraquecimento do sistema imunológico, que tem a função de proteger nosso organismo contra infecções).
As autoridades de saúde reforçam que a prevenção das doenças diarreicas depende principalmente de medidas simples de higiene e cuidado com água e alimentos:
1 – Consumir apenas água tratada, filtrada ou fervida. Evitar gelo de procedência desconhecida. Não ingerir água de rios, lagoas ou praias.
2 – Cuidado na hora da alimentação e das procedências do alimento. Lave bem as frutas, legumes e verduras. Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e frutos do mar. Atenção ao consumo de alimentos vendidos na rua. Manter alimentos refrigerados corretamente.
3 – Lavar as mãos com água e sabão antes das refeições, após usar o banheiro e/ou após contato com animais. Faça uso de álcool gel quando não houver água disponível.
4 – Evitar banho em praias classificadas como impróprias (como às que estão em contato com esgotos ou depois de chuvas tempestuosas). Redobrar cuidados em locais com grande circulação de pessoas.
5 – Se apresentar sintomas: Manter hidratação constante (água, soro de reidratação oral). Procurar unidade de saúde se houver diarreia persistente, sinais de desidratação e/ou febre ou sangue nas fezes.
Para refletir
Esse recente caso de surto diarreico mostra a fragilidade de saneamento em muitas cidades litorâneas, como em Santa Catarina, onde a infraestrutura de saneamento parece não aguentar um volume tão grande de pessoas que vão à praia no verão, que chega a triplicar o número da população, havendo uma sobrecarga em diversas redes de esgoto e em locais de mobilidade constante. Há a questão da contaminação de rios, córregos e áreas costeiras, pois muitas cidades (não só as litorâneas, mas as periféricas e as do interior do estado) sofrem baixa no saneamento básico, que atinge os rios e praias, levando à intoxicação e contaminação.
É importante destacar que o sistema hospitalar (hospitais, SUS, UPA, etc.) não é feito para substituir o saneamento. É claro que a ajuda e força deles é necessária para evitar danos maiores e óbitos, mas não resolve a origem do problema.
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