UPAs de Colombo registram queda de atendimentos após implantação do programa “Atestado Consciente”

UPAs de Colombo registram queda de atendimentos após implantação do programa “Atestado Consciente”

As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, registraram uma redução de até 14% na procura por atendimentos desde a adoção do programa “Atestado Consciente”. A medida foi implementada pela Secretaria Municipal de Saúde em alinhamento com a campanha “Atestado Responsável”, do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), e tem como objetivo promover o uso adequado dos atestados médicos e reduzir a sobrecarga nos serviços de urgência.

A secretária municipal de Saúde, Marilda Zanoni, destacou que a iniciativa visa garantir mais responsabilidade e transparência na utilização dos serviços públicos. “O foco é assegurar que o atendimento médico seja voltado para quem realmente precisa de cuidados imediatos, evitando o uso indevido das unidades apenas para obtenção de atestados”, explicou.

Nova política de emissão de atestados

Com o novo protocolo, os atestados médicos passaram a ser emitidos apenas em casos de internação ou quando a condição clínica realmente justifica o afastamento das atividades laborais ou escolares. Para as demais situações, o paciente recebe uma Declaração de Comparecimento, documento que comprova a presença na unidade e informa o horário do atendimento, mas não garante dispensa das atividades.

A mudança segue as diretrizes da campanha “Atestado Responsável”, lançada em Foz do Iguaçu, que incentiva o uso consciente dos atestados e protege os profissionais de saúde contra pressões e episódios de violência por parte de pacientes que exigem afastamentos sem respaldo clínico.

Melhoria no fluxo e agilidade no atendimento

Desde a adoção da nova política, as UPAs dos bairros Maracanã e Osasco registraram uma melhora significativa no fluxo de atendimentos. Houve redução de filas, otimização do tempo de espera e maior agilidade nos casos de urgência e emergência, especialmente nas segundas-feiras, quando a demanda costumava ser mais alta.

De acordo com Zanoni, “a iniciativa contribui para organizar o sistema, permitindo que a equipe médica priorize os casos que realmente exigem intervenção imediata”.

Conscientização e combate à fraude

A Prefeitura de Colombo também reforça que emitir ou utilizar atestados falsos é crime, conforme o artigo 302 do Código Penal Brasileiro, sujeito a detenção de um mês a um ano. Para ampliar a conscientização, a Secretaria de Saúde está promovendo uma campanha educativa com banners informativos e materiais explicativos nas UPAs e Unidades Básicas de Saúde do município.

A ação destaca a importância da autonomia médica na emissão de documentos e reforça que apenas o profissional de saúde pode determinar a necessidade e o período de afastamento, conforme critérios clínicos.

Contexto estadual: a campanha “Atestado Responsável”

Lançada oficialmente no dia 28 de agosto de 2025, em Foz do Iguaçu, a campanha “Atestado Responsável” é uma parceria entre o CRM-PR, a Secretaria Estadual da Saúde (SESA-PR), o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems-PR) e a Prefeitura de Foz do Iguaçu.

O movimento surgiu como resposta ao aumento dos casos de violência contra médicos — em 2024, o CRM-PR registrou 531 ocorrências de agressões motivadas, em grande parte, por recusas na emissão de atestados sem justificativa clínica.

A iniciativa esclarece a diferença entre Atestado Médico (usado quando o paciente precisa de afastamento) e Declaração de Comparecimento (quando há apenas consulta ou atendimento pontual). Essa distinção busca educar a população e fortalecer o respeito ao julgamento técnico dos profissionais.

Impacto positivo e expansão do modelo

Após o sucesso em Foz do Iguaçu e Curitiba, outras cidades do Paraná vêm adotando o mesmo modelo, e Colombo é uma das referências dessa expansão. O “Atestado Consciente” tem demonstrado resultados concretos na redução de atendimentos desnecessários, no uso racional do sistema público de saúde e na valorização da prática médica ética.

O vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Ricardo Nascimento, reforçou que o programa também protege os empregadores, garantindo que apenas trabalhadores realmente incapacitados sejam afastados. “A medida é importante para evitar abusos e fortalecer a confiança entre médicos, pacientes e empresas”, afirmou.

Responsabilidade médica

A experiência de Colombo mostra que educar a população e valorizar a responsabilidade médica são caminhos eficazes para aprimorar o sistema público de saúde. A diminuição de 14% nos atendimentos comprova que a conscientização e a ética podem gerar resultados concretos tanto para os profissionais quanto para os usuários.

A expectativa é que outras cidades do estado sigam o exemplo e adotem o modelo, promovendo um atendimento mais eficiente, justo e humano em todo o Paraná.

Fontes:
  • Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) – www.crmpr.org.br
  • Secretaria de Saúde de Colombo
  • Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Paraná (Cosems-PR)
  • Agência Estadual de Notícias do Paraná

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