Nem todos podem consumir chia, alertam nutricionistas

Nem todos podem consumir chia, alertam nutricionistas

Conhecida pelos benefícios nutricionais, a chia ganhou espaço na alimentação de quem busca uma dieta mais saudável. Rica em fibras, ômega-3, proteínas e minerais, a semente costuma ser associada à melhora do intestino, saciedade e saúde cardiovascular. No entanto, especialistas alertam que nem todas as pessoas toleram bem o consumo da chia, e em alguns casos ela pode provocar efeitos adversos.

Alta concentração de fibras exige cuidado

De acordo com a nutricionista Isis Helena Buonso, do Hospital Samaritano Higienópolis, o principal ponto de atenção está justamente na alta quantidade de fibras presentes na semente.

“A chia contém fibras solúveis e insolúveis. As solúveis absorvem grande volume de água e formam um gel no trato digestivo. Em pessoas com sensibilidade gastrointestinal, isso pode gerar desconforto importante”, explica.

Entre os quadros que podem ser agravados pelo consumo da chia estão:

  • Síndrome do intestino irritável (SII);
  • Constipação crônica;
  • Gastrite e esofagite;
  • Refluxo gastroesofágico intenso;
  • Histórico de obstrução intestinal.

Nesses casos, o consumo pode provocar inchaço, gases, dor abdominal e piora do trânsito intestinal, especialmente quando a semente é ingerida seca ou sem hidratação adequada.

Doenças inflamatórias intestinais exigem atenção

Pessoas com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa em fase ativa também devem ter cautela. Nessas condições, o excesso de fibras pode irritar ainda mais a mucosa intestinal e intensificar sintomas como dor, diarreia e distensão abdominal.

Outro grupo que deve evitar a chia inclui pessoas com dificuldade de mastigação ou deglutição, como idosos ou pacientes com alterações neurológicas.

Segundo a nutricionista Taynara Abreu, do Hospital Mantevida, em Brasília, a semente pode representar risco físico quando ingerida de forma inadequada.

“A chia se expande rapidamente ao entrar em contato com líquidos. Se for consumida seca, pode aumentar de volume ainda no esôfago e causar engasgo ou obstrução”, alerta.

Por isso, a recomendação é que a semente seja sempre hidratada previamente antes do consumo, mesmo para pessoas sem restrições.

Alergia e interferência na absorção de minerais

Embora seja rara, a alergia à chia é possível e pode se manifestar com sintomas como coceira, inchaço, náuseas e desconforto gastrointestinal.

Além disso, um fato importante destacado por especialistas é que o consumo excessivo de chia, sem orientação profissional, pode interferir na absorção de minerais como cálcio, ferro e zinco, devido à presença de fitatos — compostos naturais encontrados em sementes.

Esse efeito é mais relevante quando a chia é consumida em grandes quantidades e de forma contínua.

Quem deve evitar ou consumir com cautela

O consumo de chia deve ser evitado ou avaliado individualmente por pessoas que:

  • Possuem doenças gastrointestinais;
  • Estão com doença inflamatória intestinal ativa;
  • Têm intestino muito sensível ou lento;
  • Apresentam dificuldade para mastigar ou engolir;
  • Possuem histórico de alergia à semente.

Quando a chia não é indicada, é possível manter uma dieta equilibrada com substituições adequadas, de acordo com o objetivo nutricional.

Alternativas possíveis

  • Para aumentar o consumo de fibras: aveia, psyllium, linhaça bem triturada, frutas ricas em fibras;
  • Para obter ômega-3: linhaça moída, peixes de água fria como sardinha e salmão, ou suplementação quando indicada;
  • Para maior saciedade: oleaginosas em pequenas quantidades, combinações de proteínas e fibras toleradas pelo organismo.

Orientação profissional é fundamental

Especialistas reforçam que nenhum alimento considerado saudável é universalmente seguro para todas as pessoas.

“Todo alimento deve ser inserido em um contexto individual, considerando o estado clínico, o histórico de saúde e os objetivos nutricionais. A orientação de um nutricionista é essencial para garantir benefícios reais e evitar riscos”, conclui Isis Helena Buonso.

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