Tecnologia monitora atividade cerebral de bebês na Santa Casa BH

Tecnologia monitora atividade cerebral de bebês na Santa Casa BH

A Santa Casa BH, instituição que abriga a primeira maternidade da capital mineira, iniciou 2026 com a implantação de uma tecnologia inédita em sua Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Recém-nascidos de alto risco agora contam com neuromonitoramento cerebral ininterrupto, 24 horas por dia, recurso que permite diagnóstico precoce e intervenções rápidas para reduzir o risco de lesões neurológicas.

O sistema acompanha a atividade cerebral em tempo real e, ao identificar qualquer alteração, aciona imediatamente a equipe multiprofissional da UTIN para adoção dos cuidados necessários. O monitoramento é realizado por uma central especializada, com apoio de inteligência artificial (IA).

Tecnologia permite identificar crises neurológicas silenciosas

Conhecido como neuromonitoramento neonatal, o método utiliza a eletroencefalografia contínua para analisar o funcionamento cerebral dos bebês. A leitura dos dados é feita por uma equipe de especialistas que atua a partir de São Paulo.

Segundo estimativas médicas, entre 80% e 90% das crises convulsivas em recém-nascidos não apresentam sinais visíveis, o que torna o monitoramento contínuo essencial para um diagnóstico preciso e para a definição do tratamento adequado.

Implantação inicial atenderá parte dos leitos da UTIN

Nesta primeira fase, o serviço será implementado em dois dos 20 leitos da UTIN da Santa Casa BH. A expectativa é de que cerca de 100 bebês por ano sejam diretamente beneficiados pela nova tecnologia.

A ampliação do serviço poderá ocorrer de forma gradual, conforme avaliação dos resultados clínicos e operacionais.

De acordo com dados clínicos associados ao uso da tecnologia, o neuromonitoramento contínuo oferece ganhos relevantes para o cuidado neonatal, entre eles:

Impactos clínicos esperados

  • Diagnóstico mais preciso: identificação de pelo menos 60% das crises convulsivas subclínicas, que passariam despercebidas sem o monitoramento;
  • Uso mais racional de medicamentos: redução de até 60% no uso inadequado de anticonvulsivantes quando a suspeita clínica não se confirma;
  • Redução da mortalidade: queda de aproximadamente 25% na mortalidade de recém-nascidos com encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI);
  • Internações mais curtas: diminuição de ao menos 10% no tempo médio de internação de grupos críticos, como prematuros extremos e bebês submetidos à hipotermia terapêutica.

Asfixia perinatal é uma das principais causas de morte neonatal

A asfixia perinatal, caracterizada pela falta de oxigenação no cérebro do bebê durante o parto ou logo após o nascimento, é a terceira principal causa de morte neonatal no mundo. Além do risco de óbito, a condição pode resultar em sequelas graves, como paralisia cerebral, cegueira, surdez e transtornos neurológicos permanentes.

O diagnóstico precoce e a intervenção rápida são fatores determinantes para reduzir esses impactos.

Monitoramento em tempo real auxilia decisões médicas

Para a coordenadora da unidade neonatal da Santa Casa BH, Ana Cláudia Cunha, a nova tecnologia representa um avanço importante no cuidado intensivo neonatal.

“Quando um recém-nascido apresenta sinais de comprometimento neurológico, nem sempre é possível identificar de imediato a causa. Nessas situações, cada minuto é decisivo. O neuromonitoramento cerebral contínuo nos permite acompanhar a atividade cerebral em tempo real e fornecer informações fundamentais para intervenções rápidas e precisas, reduzindo o risco de lesões neurológicas permanentes”, afirma.

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