Um laudo pericial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Amazonas concluiu que não houve falha técnica no sistema eletrônico de prescrição do Hospital Santa Júlia, em Manaus, no atendimento que terminou com a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos. A conclusão contraria a versão apresentada pela médica investigada, que havia atribuído a uma suposta instabilidade do sistema a indicação de adrenalina por via intravenosa.
De acordo com a perícia, o sistema pode exibir campos padronizados e sugestões automáticas, mas a seleção final da via de administração depende do profissional que prescreve. A apuração aponta que não ocorre troca automática da via sem ação humana, reforçando que a prescrição registrada não teria sido gerada por erro do sistema.
Prescrição teria saído com aplicação na veia por falha tecnológica
O laudo foi produzido após a médica afirmar que teria indicado adrenalina por nebulização, porém a prescrição teria saído com aplicação na veia por falha tecnológica. A perícia, no entanto, informou que não identificou instabilidades, falhas técnicas ou erros de processamento, após verificações realizadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A investigação segue em andamento e, segundo a autoridade policial, a conclusão depende do laudo completo do IML. Há expectativa de encerramento do inquérito no fim de fevereiro, com possibilidade de indiciamento da médica e da técnica de enfermagem citada como responsável pela administração do medicamento.
Conforme registros reunidos no caso, Benício foi internado em 22 de novembro com tosse seca e suspeita de laringite. A apuração indica que teria sido registrada prescrição de adrenalina por via intravenosa em doses sequenciais, com intervalos definidos, e que o menino recebeu ao menos uma dose.
Os pais relataram estranhamento, afirmando que até então a criança havia recebido adrenalina por nebulização. Ainda assim, segundo as informações da investigação, a técnica de enfermagem teria administrado a medicação conforme constava na prescrição, alegando ter seguido o documento.
Benício apresentou paradas cardíacas, foi encaminhado à UTI e morreu na madrugada de 23 de novembro. A polícia trabalha com a hipótese de que a morte esteja relacionada a overdose de adrenalina, o que será confrontado com laudos e demais provas para definição de responsabilidades.




