Médica é condenada por negligência após morte de bebê no Sírio-Libanês

Médica é condenada por negligência após morte de bebê no Sírio-Libanês

A Justiça de São Paulo condenou uma médica por homicídio culposo — aquele em que não há intenção de matar — por causa da morte de um bebê de um ano no Hospital Sírio-Libanês, um dos mais renomados do Brasil. O caso aconteceu em 2018, mas a decisão foi divulgada agora, em maio de 2025. A história envolve dor, descaso e um desfecho que gerou revolta nos pais da criança e debate sobre a responsabilidade médica em situações críticas.

O bebê tinha sido internado para passar por um processo preparatório para um transplante de medula óssea. Estava tudo dentro do esperado até que, durante a aplicação de um imunossupressor, o pequeno começou a sentir fortes dores abdominais. A situação foi piorando ao longo da madrugada, com a criança visivelmente em sofrimento. Mesmo assim, a médica responsável pelo caso, Alessandra Araújo Gomes, não foi ao hospital — ela estava em casa e optou por apenas prescrever medicamentos à distância, sem pedir exames nem acionar outro profissional.

Horas de dor sem atendimento presencial

Segundo o pai do bebê, o filho passou horas chorando, gritando e se contorcendo de dor, sem ser examinado pessoalmente por nenhum médico. A decisão de não ir até o hospital custou caro: o quadro clínico da criança se agravou, ela teve parada cardiorrespiratória e, mesmo com tentativas de reanimação, não resistiu.

A Justiça entendeu que houve negligência. O juiz responsável pelo caso, Eduardo Pereira, foi direto ao ponto: a médica deveria ter exigido uma avaliação clínica presencial quando os primeiros sinais de piora apareceram. Mas ela não só ignorou isso como também não indicou nenhum outro médico para assumir a responsabilidade naquele momento crítico. Segundo ele, era previsível que a omissão terminasse mal.

Alessandra foi condenada a um ano e nove meses de prisão. No entanto, a pena foi convertida para prestação de serviços à comunidade e pagamento de uma indenização de R$ 151 mil aos pais da criança.

Defesa diz que vai recorrer

A defesa da médica afirmou que respeita a decisão, mas acredita que ela vai ser revertida. Segundo o advogado Douglas Goulart, a médica não pode ser responsabilizada diretamente pela morte, já que, para ele, a situação foi uma tragédia associada à própria gravidade da doença e do tratamento.

Ele também destacou que os pais foram avisados sobre os riscos e que uma perita judicial disse não ser possível identificar um culpado específico. Por isso, considera que a decisão do juiz foi além do que estava comprovado.

Hospital não se manifestou

Até o momento da publicação da decisão, o Hospital Sírio-Libanês não se pronunciou sobre o caso. O silêncio da instituição só aumenta os questionamentos sobre os protocolos e a conduta adotada em um hospital que ostenta o status de excelência. Veja também Mulher aplica golpe em planos de saúde e acaba pegando 19 anos de prisão.

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