Mulher é encontrada morta em hospital psiquiátrico do DF e caso levanta questionamentos sobre condições da unidade

Mulher é encontrada morta em hospital psiquiátrico do DF e caso levanta questionamentos sobre condições da unidade

Uma mulher de 52 anos, identificada como Eva de Oliveira, foi encontrada morta no banheiro do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), localizado em Taguatinga, no Distrito Federal. Internada para ajustes em seu tratamento de esquizofrenia, Eva teve sua morte registrada na madrugada da última terça-feira (22), sendo o corpo localizado por outro paciente da unidade. A situação provocou forte comoção entre familiares e acendeu o alerta para a estrutura e os protocolos de segurança adotados nos hospitais psiquiátricos da rede pública local, especialmente diante da reincidência de mortes em um curto intervalo de tempo.

Internação recente e circunstâncias suspeitas

Natural de Riacho de Santana, na Bahia, Eva havia sido internada apenas quatro dias antes do óbito. Segundo relato de sua irmã à TV Globo, o objetivo da internação era apenas ajustar a medicação usada no tratamento da esquizofrenia. No entanto, a paciente foi encontrada com ferimentos e sinais de parada cardíaca. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que foram realizados procedimentos de reanimação pela equipe médica e de enfermagem, mas a paciente não resistiu.

A causa oficial da morte ainda está sob investigação. O corpo foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) e a 12ª Delegacia de Polícia de Taguatinga assumiu o caso. O enterro de Eva aconteceu nesta quinta-feira (24), no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Repetição de fatalidades e críticas à estrutura hospitalar

Este não é um caso isolado. Em dezembro de 2024, outra paciente, Raquel Franca de Andrade, de 24 anos, também morreu nas dependências do mesmo hospital, o que evidencia um padrão preocupante. A repetição de óbitos em ambiente hospitalar psiquiátrico reforça as críticas sobre a infraestrutura e os cuidados oferecidos no HSVP, unidade que atualmente mantém 83 leitos psiquiátricos em funcionamento.

Apesar de uma lei distrital de quase três décadas prever o fim progressivo desses leitos em instituições psiquiátricas, eles continuam operando, em desacordo com diretrizes nacionais estabelecidas desde 2001, que recomendam a desinstitucionalização dos pacientes e a extinção de internações de longa duração.

Relatórios oficiais denunciam más condições

O hospital já havia sido alvo de denúncias no passado. Um relatório do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), divulgado em 2018, apontava condições estruturais precárias e denúncias de tratamento desumano aos pacientes do HSVP.

Essas constatações somam-se às recentes ocorrências para embasar a cobrança por reformas efetivas no sistema de saúde mental do Distrito Federal.

Nota da Secretaria de Saúde

Em nota oficial, a Secretaria de Saúde afirmou que todas as medidas de emergência foram adotadas conforme os protocolos médicos em vigor. A pasta reiterou que a morte de Eva de Oliveira está sendo investigada e que aguarda o laudo pericial para definição da causa do óbito.

O caso reabre o debate sobre a qualidade da assistência em saúde mental, especialmente em instituições públicas que ainda operam sob modelos considerados ultrapassados. Familiares de pacientes e entidades ligadas aos direitos humanos têm pressionado por mudanças profundas que garantam segurança, dignidade e cuidado adequado às pessoas em tratamento psiquiátrico. Veja também Paciente armada com faca provoca caos em posto de saúde de Brusque.

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