A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) publicou a Nota Técnica nº 041/2025, que reforça e padroniza o protocolo obrigatório para o atendimento de emergências obstétricas relacionadas à pré-eclâmpsia e à eclâmpsia em toda a Rede de Atenção à Saúde do estado. O documento estabelece diretrizes claras para a disponibilização, preparo e administração do sulfato de magnésio, considerado o fármaco de primeira escolha para a prevenção e o tratamento das convulsões associadas a essas condições, além de orientar o uso de medicamentos anti-hipertensivos em situações de crise hipertensiva.
A medida tem como principal objetivo reduzir a morbimortalidade materna e fetal, um dos grandes desafios da saúde pública no Brasil e também no Paraná. A pré-eclâmpsia e a eclâmpsia estão entre as principais causas de óbitos maternos evitáveis, e a adoção de protocolos bem definidos é apontada como estratégia essencial para garantir atendimento rápido, seguro e baseado em evidências científicas.
Protocolo obrigatório em toda a rede de saúde
De acordo com a nota técnica, o protocolo é de aplicação obrigatória em todos os pontos da Rede de Atenção à Saúde que atendem gestantes e puérperas, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h), Prontos Atendimentos Municipais, Unidades Mistas, Prontos-Socorros, Hospitais de Pequeno Porte, além do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), tanto terrestre quanto aeromédico. Hospitais do sistema suplementar que realizam atendimento obstétrico também devem seguir as diretrizes.
A Sesa destaca que todos esses serviços devem manter disponibilidade imediata do sulfato de magnésio 50%, bem como dos insumos necessários para a sulfatação, organizados em kits específicos, de forma a evitar atrasos no início do tratamento, especialmente em situações de emergência.
Prioridade ao sulfato de magnésio
Um dos pontos centrais da nota técnica é a orientação de que a sulfatação deve ser iniciada imediatamente quando indicada, antes ou concomitantemente ao tratamento anti-hipertensivo, sendo considerada prioridade absoluta no manejo da pré-eclâmpsia grave, da iminência de eclâmpsia e da eclâmpsia instalada.
O documento esclarece que o sulfato de magnésio é o fármaco mais eficaz para prevenir crises convulsivas, reduzir complicações neurológicas e diminuir o risco de morte materna e fetal. A omissão ou o atraso na administração do medicamento é apontado como mais perigoso do que os eventuais riscos associados ao seu uso, desde que respeitados os critérios de monitoramento clínico.
Quando o uso do medicamento é indicado
A nota técnica define de forma objetiva as situações em que o sulfato de magnésio deve ser utilizado, incluindo:
- Pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg e/ou diastólica ≥ 110 mmHg, mesmo sem sintomas;
- Sinais de iminência de eclâmpsia, como cefaleia intensa, distúrbios visuais, dor epigástrica ou no hipocôndrio direito associados a hipertensão;
- Convulsões tônico-clônicas generalizadas, durante a gestação ou no puerpério;
- Síndrome HELLP, caracterizada por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia.
Esses critérios visam garantir que o tratamento seja iniciado precocemente, inclusive no atendimento pré-hospitalar, quando necessário.
Esquemas padronizados e segurança do paciente
Para garantir a segurança da assistência, a Sesa padronizou dois esquemas de administração do sulfato de magnésio: o Esquema de Pritchard, preferencial em ambientes sem bomba de infusão ou no pré-hospitalar, e o Esquema de Zuspan, indicado quando há disponibilidade de bomba infusora. Ambos os esquemas têm doses de ataque e de manutenção bem definidas, além de orientações rigorosas de monitoramento clínico.
O documento também reforça a necessidade de monitorar sinais vitais, reflexo patelar, frequência respiratória, saturação de oxigênio e diurese, além de manter o gluconato de cálcio 10% disponível como antídoto, em caso de intoxicação pelo magnésio.
Papel estratégico do SAMU e das equipes de enfermagem
A nota técnica atribui papel estratégico ao SAMU 192, responsável por iniciar a estabilização clínica da gestante ainda no atendimento pré-hospitalar e garantir o encaminhamento seguro para a unidade de referência. O uso do sulfato de magnésio durante o transporte é considerado fundamental para evitar crises convulsivas e agravamento do quadro clínico.
As equipes de enfermagem também são destacadas como peças-chave na efetivação do protocolo, especialmente no preparo do medicamento, administração segura, monitoramento contínuo e registro adequado das informações clínicas. A Sesa recomenda a capacitação periódica dos profissionais como condição indispensável para a qualidade da assistência.
Impacto na redução da mortalidade materna
Ao reforçar a obrigatoriedade do protocolo, a Sesa busca alinhar o Paraná às melhores evidências científicas e às recomendações nacionais para o cuidado obstétrico de urgência. A expectativa é que a padronização do atendimento contribua de forma significativa para a redução de mortes maternas evitáveis, fortalecendo a rede de atenção à saúde da mulher e garantindo maior segurança para gestantes e recém-nascidos em todo o estado





