O caso do pequeno Benício Xavier Freitas, de apenas 6 anos, ganhou novos e graves desdobramentos após as recentes declarações do delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A investigação, que inicialmente focava na conduta de uma médica e de uma técnica de enfermagem, agora aponta uma negligência sistêmica dentro do Hospital Santa Júlia, envolvendo falhas críticas de profissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Ampliação das Responsabilidades: A Falha da UTI
Segundo as autoridades, a morte de Benício não foi fruto de um erro isolado, mas de uma sucessão de oportunidades perdidas. O inquérito agora inclui a responsabilidade de outros médicos, como Luiz Felipe Sorte, que atuava na UTI.
As falhas apontadas pela perícia incluem:
- Ausência de Intubação Imediata: O procedimento era considerado vital para o quadro da criança e não foi realizado a tempo.
- Falta de Suporte Especializado: Não houve o acionamento de pediatras especialistas nem de anestesiologistas para intervir na crise.
- Omissão de Medicação Corretiva: Peritos indicaram que existiam fármacos capazes de neutralizar os efeitos colaterais da adrenalina no coração de Benício, permitindo sua estabilização, mas a medicação nunca foi administrada.
Consultas por Aplicativo e Falsidade Ideológica
Um dos pontos mais sensíveis da investigação refere-se à conduta da médica Juliana Brasil. Em vez de exigir um parecer presencial de especialistas diante da gravidade do paciente, a médica teria realizado consultas via WhatsApp. A perícia é enfática: o estado de Benício exigia avaliação física e intervenção direta de uma equipe multidisciplinar.
Além disso, Juliana Brasil enfrenta acusações de falsidade ideológica e uso de documento falso. A investigação aponta que ela utilizava um carimbo que a identificava indevidamente como pediatra, especialidade que não possuía.
Classificação do Crime: Dolo Eventual e Crueldade
O delegado Marcelo Martins decidiu pelo indiciamento por homicídio doloso com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).
- Técnica Raiza Marinho: Indiciada por ignorar protocolos básicos, como a “dupla checagem” de medicamentos.
- Médica Juliana Brasil: Além do homicídio, responde pelas fraudes em seus documentos profissionais.
Para a polícia, o sofrimento prolongado da criança justifica a qualificadora de crueldade. “O Benício não teve chance nenhuma. Foram erros sequenciais”, pontuou o delegado.
Linha do Tempo: O Caso Benício
Abaixo, os principais eventos que compõem o trágico histórico da investigação:
| Momento | Fato Ocorrido |
| Internação | Benício dá entrada no Hospital Santa Júlia para um procedimento/atendimento de saúde. |
| O Erro Fatal | É administrada uma dosagem ou substância equivocada (envolvendo a técnica Raiza e a médica Juliana). |
| A Crise | O quadro da criança se agrava rapidamente devido aos efeitos da adrenalina no organismo. |
| Falha na UTI | Já na unidade crítica, o médico de plantão deixa de realizar a intubação e não convoca pediatras ou anestesiologistas. |
| Consulta Remota | A médica Juliana Brasil tenta orientar o caso via WhatsApp, em vez de exigir presença física de especialistas. |
| O Óbito | Benício não resiste às paradas cardíacas e falece após intenso sofrimento físico. |
| Início do IP | Polícia Civil abre Inquérito Policial para apurar negligência e erro médico. |
| Perícia e Laudos | Especialistas confirmam que havia meios técnicos de salvar a criança que foram ignorados. |
| Indiciamento | Delegado confirma indiciamento por homicídio doloso, falsidade ideológica e aponta novos culpados na UTI. |
Gostaria que eu analisasse algum ponto específico do código penal sobre dolo eventual ou buscasse mais detalhes sobre os protocolos de segurança hospitalar que foram violados?




