Uma técnica desenvolvida por um médico brasileiro tem chamado a atenção por tratar a hérnia de disco lombar sem necessidade de cirurgia, cortes ou internação prolongada. O procedimento utiliza uma injeção precisa na coluna, aplicada diretamente no local da inflamação, com resultados expressivos na redução da dor.
O método foi apresentado em estudo publicado em dezembro de 2025 na revista científica International Journal of Spine Surgery e mostrou melhora significativa em pacientes com dor persistente causada pela compressão de nervos da coluna.
Estudo aponta alívio da dor em 86% dos pacientes
A pesquisa acompanhou 99 pacientes, sendo 45 homens e 54 mulheres, todos com sintomas de hérnia de disco lombar por mais de oito semanas e sem resposta ao tratamento conservador tradicional.
Após seis meses da aplicação, 86% dos participantes estavam livres da dor, segundo os dados apresentados no estudo. O procedimento foi desenvolvido pelo neurocirurgião Francisco Sampaio Júnior, do Hospital Sírio-Libanês, que também liderou a pesquisa.
Segundo o médico, todos os pacientes incluídos já haviam tentado tratamentos como medicamentos, repouso e fisioterapia, sem melhora clínica satisfatória.
“Esse método é indicado justamente nos casos em que as abordagens convencionais não funcionam e em que, normalmente, já se cogitaria uma cirurgia”, explica Sampaio.
Como funciona a aplicação na coluna
A hérnia de disco provoca dor principalmente por dois fatores: a compressão mecânica do nervo e o processo inflamatório gerado após a ruptura do disco intervertebral.
A técnica permite que o médico posicione a agulha exatamente no ponto onde ocorre a inflamação. Assim, o corticosteroide é aplicado diretamente no foco do problema, potencializando o efeito anti-inflamatório.
“Essa aplicação localizada reduz rapidamente a inflamação e contribui para a diminuição gradual do fragmento herniado”, detalha o neurocirurgião.
Procedimento é rápido e minimamente invasivo
De acordo com o especialista, o procedimento dura entre 12 e 15 minutos, é feito com anestesia local e não envolve cortes ou suturas, apenas o uso de agulhas.
Com o tempo, o fragmento da hérnia tende a desidratar e ser reabsorvido pelo organismo, o que reduz a pressão sobre o nervo e alivia os sintomas.
Os pacientes foram acompanhados por seis meses e mantiveram melhora clínica significativa durante o período.
Quando a cirurgia ainda é necessária
O médico alerta que, caso o procedimento não produza o efeito esperado, ele não deve ser repetido. Nessas situações, o tratamento cirúrgico passa a ser indicado.
“Repetir a técnica não traz benefício adicional e pode aumentar riscos, como infecção, devido às múltiplas punções”, afirma.
Apesar das vantagens, o método não substitui o tratamento inicial conservador, que continua sendo a primeira escolha.
Agulha x cirurgia tradicional
Por ser minimamente invasiva, a técnica apresenta riscos menores em comparação à cirurgia, que envolve anestesia geral, cortes, maior tempo de recuperação e possibilidade de complicações neurológicas.
Segundo Sampaio, os pacientes que mais se beneficiam são aqueles com dor intensa ou incapacitante, sem resposta a medicamentos e fisioterapia.
Com a publicação internacional do estudo, a expectativa é que outros centros médicos passem a reproduzir a técnica. O próximo passo da pesquisa será acompanhar os pacientes por períodos mais longos, com avaliações em 1, 2, 3 e até 5 anos, para analisar a durabilidade dos resultados.
O que é hérnia de disco e quais são os sintomas
A hérnia de disco ocorre quando o disco intervertebral — estrutura que funciona como amortecedor entre as vértebras — se rompe e desloca seu conteúdo, podendo comprimir nervos da coluna.
A condição é mais comum na região lombar, mas pode ocorrer também na cervical. Os sintomas variam conforme o nervo afetado e incluem:
- Dor na coluna
- Dor irradiada para pernas ou braços
- Formigamento
- Fraqueza muscular
Entre as principais causas estão má postura, sedentarismo e predisposição genética. O tratamento inicial envolve analgésicos, anti-inflamatórios e fisioterapia. Quando a dor persiste por mais de 12 semanas, a cirurgia costuma ser considerada.




