Retrospectiva da enfermagem 2021

Retrospectiva da enfermagem 2021

Vamos listar os fatos mais marcantes que ficará em nossa memória deste ano de 2021 referente aos profissionais da enfermagem.

Os profissionais de enfermagem estiveram na linha de frente no combate à pandemia da Covid-19

O combate contra a Covid-19 no começo da pandemia foi difícil pois se tratava de uma doença viral ainda pouco conhecida e que gerou vários sentimentos de dúvidas e incertezas. Em meio a este cenário que aos poucos se desenrolava, os profissionais de enfermagem sempre estiveram a postos para combater este vírus, aguardando tão somente as orientações do Ministério da Saúde e da Agência de Vigilância Sanitária – ANVISA.

Vamos fazer uma retrospectiva da enfermagem neste ano de 2021

Início da Pandemia

A primeira infecção noticiada pelo vírus SARS-CoV-2 (novo coronavírus) de acordo com dados do governo chinês ocorreu no dia 17 de novembro de 2019. O paciente infectado era uma pessoa de 55 anos da província de Hubei que fica próximo de Wuhan onde foi o foco do primeiro surto da pandemia.

No Brasil o primeiro caso confirmado pelo vírus SARS-CoV-2 (novo coronavírus) foi registrado no dia 26 de fevereiro de 2020 na cidade de São Paulo. O paciente infectado era um homem de 61 anos que esteva na Itália e que tinha retornado ao Brasil.

Hoje, o número de casos confirmados pelo mundo já ultrapassa os 262 milhões e os óbitos cerca de 5 milhões. Esses  dados forma obtidos segundo o contador da Universidade Johns Hopkins — que contabiliza os balanços oficiais diários de cada país. Segundo estes mesmos dados, o Brasil é o segundo país com maior número de mortes no período e os Estados Unidos da América EUA lidera o ranking com mais de 745 mil óbitos pelo novo coronavírus SARS-CoV-2.

No meio dessa situação alarmante que se espalhou rapidamente no mundo todo, os profissionais de Enfermagem, em especial no Brasil, se depararam com um desafio que com toda certeza foi o maior das últimas décadas: o enfrentamento da pandemia da Covid-19.

A pandemia exigiu dos profissionais da enfermagem, enfermeiros, técnicos e e auxiliares de enfermagem, uma resposta rápida para a sua atuação e isso atraiu atenção em todo o mundo, ora visto que são os profissionais de enfermagem que tem o primeiro contato com os pacientes e são esses mesmos profissionais que tem mais contato com os pacientes.

A profissão da enfermagem tem ganhado destaque entre as carreiras do futuro, devido ao seu protagonismo e o avanço de sua valorização. O protagonismo da Enfermagem tem mostrado que essa é uma profissão que merece valorização pela complexidade do seu trabalho e dedicação e que, ter um profissional de enfermagem acompanhando todos os processos de saúde está se tornando cada vez mais vital.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) normatiza cerca de 140 especialidades na área da enfermagem que, além de realizar cuidados direto com os pacientes, o profissional de Enfermagem (enfermeiro), também pode gerenciar equipes de saúde, orientar os grupos de trabalho e atuar como professores ou pesquisadores.

Atitudes dos enfermeiros frente à morte: mudanças com a pandemia por COVID-19

Sabe-se que a morte faz parte do ciclo vital e que os enfermeiros, enquanto prestadores de cuidados, estarão sempre presentes nesta etapa. Nesse contexto, as suas atitudes são o reflexo dos seus sentimentos relativos à forma como vivenciam o processo de morrer e o momento da morte.Contudo, lidar com a morte em tempo de pandemia altera-se pelas circunstâncias em que a mesma é vivida. Os contextos hospitalares sofreram alterações e a forma de prestar cuidados nesta etapa teve também de ser adaptada ao momento vivido. Porém, os enfermeiros continuam a ser os atores principais de um palco repleto de mudanças, mas cujo objetivo máximo continua a ser a prestação de cuidados adequados às necessidades de cada pessoa. Desde a primeira abordagem do enfermeiro ao paciente à execução do maior número de intervenções, com vista a minimizar o tempo de contato com as pessoas em situação de COVID-19, o toque terapêutico e o olhar direto, passou a ser interposto por muitos equipamentos de proteção individual.

Os enfermeiros, ao lidarem com as circunstâncias do contexto e da condição clínica de cada pessoa, têm prestado cuidados com vista à manutenção da vida, primando por uma assistência de qualidade, mas com limitações impostas. Isto porque, naturalmente, pela agressividade e pelos efeitos secundários da contaminação pelo vírus, o fim de vida tem sido o desfecho para muitos casos.

Ainda que os enfermeiros entendam que a morte faz parte da vida, a realidade vivida em contexto pandêmico tem agravado o medo da morte de quem está próximo e deles próprios, constituindo as crenças um recurso para maior proteção.

A consciência dos profissionais perante a gravidade da doença, reforçada pelo aumento crescente do número de casos vivenciados nas diferentes áreas de prestação de cuidados, tem gerado o silêncio sobre o assunto. Evitar falar sobre a morte, minimizando sentimentos de ansiedade, ganhou ênfase no saber-estar dos enfermeiros, uma vez que a morte é um momento com que esses profissionais se deparam, praticamente, em todas as jornadas de trabalho. Efetivamente, os enfermeiros têm sido os profissionais que mais vivenciam o momento da morte, com todos os protocolos e rituais alterados desde os cuidados ao corpo aos rituais familiares e religiosos.

Profissionais relatam que os momentos mais críticos da pandemia foram dias tão difíceis que se comparava a um cenário de guerra. Os muitos óbitos e a falta de recursos humanos e de recursos materiais como oxigênio, deixava todos desanimados, entristecidos e alguns até mesmo ficavam doentes. Quando um profissional de enfermagem era afastado do trabalho por algum motivo de doença, sobrecarregava os membros restantes da equipe pois em meio a crise, não era tão fácil e nem tão rápido fazer contratações para repor os profissionais que se afastavam ou que pediam demissão. Muitos profissionais pediram demissão alegando não suportar mais viver nesta situação. Sem dúvida alguma tudo isso foi muito marcante para a enfermagem em todo o mundo.

Piso salarial para profissionais da enfermagem é aprovado PL 2564

Sem dúvida alguma, uma das maiores vitórias da Enfermagem neste ano de 2021 foi ter a aprovação da PL 2.564/2020 pelo Plenário do Senado Federal, aprovado em 24 de novembro deste ano.

O projeto institui o piso salarial do enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem e da parteira (PL 2.564/2020). O projeto inclui o piso salarial baseado na Lei 7.498 de 1986 que regulamenta o exercício da profissão de enfermagem no Brasil e estabeleceu um mínimo para o enfermeiros no valor de R$ 4.750, a ser pago por serviços de saúde públicos e privados, para jornada de trabalho de 30 horas semanais. Para os demais profissionais da enfermagem o projeto fixa 70% do piso nacional dos enfermeiros para os técnicos de enfermagem e de 50% para os auxiliares de enfermagem e as parteiras. O projeto segue para a câmera dos deputados para ser discutido e possivelmente aprovado no ano de 2022.

Referências:

Cardoso MFPT, Martins MMFPS, Ribeiro OMPL, Trindade LL, Fonseca EF. Atitudes dos enfermeiros frente à morte: mudanças com a pandemia por COVID-19. Rev. Eletr. Enferm. [Internet]. 2021 [acesso em: 3/12/2021];23:66598. Disponível em: https://doi.org/10.5216/ree.v23.66598

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