SUS completa 35 anos com desafios gigantes pouca grana e má gestão ainda travam o maior sistema de saúde do mundo

SUS completa 35 anos com desafios gigantes: pouca grana e má gestão ainda travam o maior sistema de saúde do mundo

O Sistema Único de Saúde (SUS), aquele que todo brasileiro conhece de perto, está soprando as velinhas de 35 anos. Mesmo sendo o maior sistema de saúde pública do planeta, atendendo uma população inteira de mais de 200 milhões de pessoas, o SUS ainda enfrenta dois inimigos de peso: a falta de dinheiro e os problemas na administração. E não é de hoje. Especialistas alertam que, sem mexer nessas feridas, a saúde pública brasileira corre o risco de colapsar justamente onde é mais necessária: nos lugares mais vulneráveis e para quem mais precisa.

O SUS é gigante — e quase todo mundo depende dele

Criado em 1990, dois anos depois da Constituição garantir que saúde é direito de todos, o SUS é responsável por muito mais do que consultas e remédios: ele cuida de vacinas, ambulâncias do SAMU, vigilância sanitária, transplantes e até remédios caríssimos que muitos não conseguiriam pagar. Só que a conta não fecha. De acordo com o governo, apenas 24,6% dos brasileiros têm plano de saúde. O resto, cerca de 75% da população, depende exclusivamente da rede pública.

Mesmo quem tem plano particular ainda usa o SUS de vez em quando, seja para vacinação, tratamento de doenças raras ou exames especializados. O problema é que esses planos, muitas vezes, não reembolsam os gastos do sistema, o que acaba sobrecarregando ainda mais os cofres públicos.

O dinheiro que entra não dá conta do tamanho do problema

Em 2024, o SUS recebeu cerca de R$ 204 bilhões do governo federal — o que representa só 4,4% do orçamento nacional. E mesmo somando os gastos públicos e privados, o Brasil destina em torno de 9% do PIB à saúde, número próximo ao de países da OCDE. Mas tem um detalhe: por aqui, menos de 40% disso vem do governo. Lá fora, o investimento público chega a 70% ou 80%.

Segundo os especialistas, o SUS deveria receber ao menos 6% do PIB só do setor público pra funcionar com dignidade. Do jeito que está, a estrutura mal consegue atender a demanda, ainda mais com o envelhecimento da população e o aumento dos casos de doenças crônicas.

Filas quilométricas e hospitais pela metade

O reflexo da falta de dinheiro e má gestão aparece no dia a dia de quem precisa de atendimento. Em 2024, o tempo médio de espera para uma consulta com especialista foi de 57 dias. Para cirurgias, 52 dias. E tem caso mais extremo: quem precisava de um geneticista chegou a esperar 721 dias!

O governo tem recorrido a parcerias com hospitais filantrópicos e entidades privadas para tentar dar conta do recado. Mas, segundo os especialistas, até isso tem saído caro e mal coordenado. Faltam médicos com vínculo estável, faltam planos de carreira e, muitas vezes, sobra precarização.

Desperdício e desorganização: o outro grande vilão

Se a falta de dinheiro é um problema, o uso errado dele é outro. Em 2025, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que os hospitais do SUS operam, em média, com metade da capacidade. Isso significa leitos, médicos e equipamentos ociosos enquanto a população sofre esperando atendimento.

E tem mais: entre 2023 e 2024, mais de 58 milhões de doses de vacinas foram jogadas fora, somando um prejuízo de R$ 1,75 bilhão. A justificativa? Estoques desatualizados e baixa adesão por conta de desinformação.

Transparência como arma: o “extrato SUS” vem aí?

Para combater o desperdício, algumas ideias começaram a ganhar força. Uma delas é a criação de um extrato informativo para mostrar ao cidadão quanto custou o serviço prestado pelo SUS, mesmo que ele continue gratuito. A ideia é aumentar a consciência do uso dos recursos públicos e incentivar mais responsabilidade no uso do sistema.

Especialistas defendem que isso não é novidade — é só aplicar a lógica da transparência também na saúde. Afinal, tudo que é “de graça” pro cidadão tem custo para o país.

Mesmo sendo orgulho nacional e motivo de referência no mundo inteiro, o SUS precisa de reformas profundas. Sem mais verba e melhor gestão, os próximos aniversários podem ser menos festivos. O sistema continua salvando vidas todos os dias, mas pede socorro para continuar cumprindo essa missão. Veja também Mulher morre no PS de Franca à espera de transferência: família acusa negligência e pede respostas.

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