Por que a gastrite piora no fim do ano? Especialistas explicam

Por que a gastrite piora no fim do ano? Especialistas explicam

Confraternizações, viagens e mudanças na rotina marcam o fim do ano. Junto com pratos mais gordurosos, consumo elevado de bebidas alcoólicas e horários irregulares, cresce também o número de pessoas que relatam desconfortos como azia, queimação e dor no estômago.

Nesse contexto, a gastrite costuma aparecer entre as queixas mais comuns da temporada. Mas será que os casos realmente aumentam nessa época ou a sensação é apenas consequência dos excessos pontuais?

Consultórios registram mais queixas no período

Segundo gastroenterologistas, o aumento de sintomas relacionados à gastrite no fim do ano não é apenas percepção popular. A procura por atendimento costuma crescer durante festas e férias, especialmente entre pessoas que já apresentam sensibilidade gástrica.

De acordo com a médica Daniela Carvalho, gastroenterologista da clínica Gastrocentro, a combinação de alimentação pesada e consumo frequente de álcool favorece a inflamação da mucosa do estômago. “Há um crescimento real de queixas compatíveis com gastrite nesse período, provocado principalmente por abusos alimentares e bebidas alcoólicas”, afirma.

Alimentação e álcool atuam como fatores irritantes

O gastroenterologista Daniel Machado Baptista, do Hospital Nove de Julho, explica que os alimentos típicos das festas funcionam como agentes irritantes, sobretudo quando já existe algum fator predisponente.

“O excesso de gordura, alimentos ultraprocessados, refeições muito volumosas e o álcool sobrecarregam o estômago. Isso pode desencadear crises de gastrite ou agravar quadros já existentes”, observa o especialista.

Além disso, o álcool atua diretamente como irritante da mucosa gástrica, enquanto o estresse e a desorganização da rotina contribuem para aumentar a sensibilidade aos sintomas digestivos.

Nem todos sentem os efeitos da mesma forma

Apesar do aumento das queixas, os médicos ressaltam que o organismo não reage de maneira igual em todas as pessoas. Há quem tolere melhor os excessos pontuais, enquanto outros desenvolvem sintomas após poucos dias de desequilíbrio alimentar.

Segundo Daniela Carvalho, o estresse desempenha um papel importante nesse processo. “O estresse eleva a produção de ácido gástrico. Quando isso se soma a refeições pesadas e bebidas alcoólicas, o corpo tem mais dificuldade para manter o equilíbrio”, explica.

A gastroenterologista Fernanda Sales, da clínica AMO, acrescenta que o problema costuma surgir pelo acúmulo de fatores. “Muitas pessoas suportam esses estímulos isoladamente, mas passam a sentir desconforto quando eles se repetem por vários dias ou semanas”, afirma.

Sintomas podem indicar outros problemas

A gastrite costuma provocar dor ou queimação na parte superior do abdômen, além de náuseas, estufamento e sensação de estômago cheio. No entanto, sintomas semelhantes também podem estar relacionados a refluxo gastroesofágico, úlceras ou até doenças da vesícula biliar.

Por isso, os especialistas alertam que queixas persistentes não devem ser ignoradas, especialmente quando se repetem após o fim das festas.

Quando é hora de procurar um médico?

Nem todo desconforto gástrico exige atendimento imediato, mas alguns sinais merecem atenção. Fernanda Sales recomenda buscar avaliação especializada quando os sintomas interferem na rotina ou não melhoram com o retorno à alimentação habitual.

“Dor intensa, vômitos frequentes, perda de peso sem causa aparente, anemia, sangramentos ou dificuldade para se alimentar são sinais de alerta e exigem investigação”, orienta.

Nesses casos, exames como a endoscopia podem ser indicados para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento adequado. Os médicos reforçam ainda que a automedicação, especialmente com anti-inflamatórios, pode agravar quadros de gastrite e deve ser evitada sem orientação profissional.

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