A morte do desembargador Maurício Silva Miranda, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, reacendeu o alerta sobre a leptospirose, uma doença infecciosa que pode evoluir rapidamente para quadros graves. O magistrado faleceu no domingo (4), em Goiânia (GO), com suspeita da infecção.
Maurício Miranda, integrante do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, foi internado no dia 1º de janeiro após apresentar febre e dores musculares intensas. Durante a internação, o quadro clínico evoluiu para falência múltipla de órgãos, levantando a suspeita de leptospirose como causa da morte.
O que é a leptospirose e como ocorre a transmissão

A leptospirose é uma doença infecciosa febril causada por uma bactéria do gênero Leptospira. É considerada uma zoonose, pois é transmitida de animais para seres humanos, podendo variar de quadros leves a formas graves com risco de morte.
É uma infecção bacteriana que ataca diversos órgãos (especialmente rins e fígado). Embora seja famosa como “doença do rato”, ela também pode infectar cães, bois e cavalos.
A transmissão não ocorre de pessoa para pessoa. O ciclo principal é:
- Hospedeiro: O rato (principalmente a ratazana de esgoto) carrega a bactéria nos rins sem adoecer e a libera viva pela urina.
- Ambiente: A bactéria sobrevive por semanas em locais úmidos, lama ou água doce parada.
- Contágio: O ser humano se infecta ao entrar em contato com essa água ou lama contaminada. A bactéria penetra no corpo de três formas:
- Pele com lesões: Pequenos cortes ou arranhões.
- Pele íntegra: Se a pessoa ficar submersa por muito tempo na água (a pele amolece e facilita a entrada).
- Mucosas: Contato da água contaminada com os olhos, nariz ou boca (ou ingestão acidental).
Fatores de Risco
- Enchentes e Inundações: São os momentos de maior pico, pois a urina dos ratos nos bueiros se mistura à água das chuvas.
- Saneamento Básico: Locais com acúmulo de lixo atraem roedores e aumentam o risco.
- Profissões de Risco: Trabalhadores de limpeza de esgoto, garis e agricultores.
Dica de Ouro: O sintoma mais característico da fase inicial é uma forte dor nas panturrilhas (batata da perna), acompanhada de febre e dor de cabeça.
De acordo com a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein, a infecção nem sempre está ligada ao contato direto com água de enchente. Em cenários de desastres naturais, a segurança dos alimentos torna-se um fator crítico, já que a contaminação pode ocorrer por armazenamento inadequado e pelo aumento da presença de roedores em áreas afetadas
Sintomas iniciais e sinais de agravamento
Os sintomas da leptospirose costumam surgir entre sete e 14 dias após a exposição à bactéria. Na fase inicial, os sinais mais comuns incluem:
- Febre alta
- Falta de apetite
- Dor muscular intensa, especialmente nas panturrilhas
- Dor de cabeça
- Náuseas e vômitos
Também podem ocorrer diarreia, dores nas articulações, vermelhidão nos olhos, sensibilidade à luz, tosse e dor ocular. Em situações menos frequentes, há registro de aumento do fígado e do baço, ínguas e erupções cutâneas.

Casos graves podem levar à síndrome de Weil
Cerca de 15% dos pacientes evoluem para formas graves da doença. O quadro mais conhecido é a síndrome de Weil, caracterizada por icterícia intensa (coloração amarelada ou alaranjada da pele), insuficiência renal e hemorragia pulmonar, condições que elevam significativamente o risco de morte.
Segundo a farmacêutica Ana Paula Weinfurter Lima, coordenadora do Centro Universitário Internacional (Uninter), os sintomas iniciais da leptospirose são frequentemente inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Diagnóstico e tratamento precoce são fundamentais
O diagnóstico da leptospirose é realizado por meio de exames laboratoriais, especialmente a análise de amostras de sangue. O tratamento baseia-se no uso de antibióticos e deve ser iniciado o mais rápido possível.
Em quadros leves, a medicação pode ser administrada por via oral e em ambiente domiciliar. Já nos casos mais graves, é necessária a internação hospitalar e o uso de antibióticos intravenosos, além de suporte clínico intensivo.
Especialistas reforçam que a identificação precoce da doença e o início imediato do tratamento são decisivos para reduzir as complicações e a letalidade.





