Jovem morre após ácido ser injetado na veia durante hemodiálise

Jovem morre após ácido ser injetado na veia durante hemodiálise

Sete meses após a morte de Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, o caso voltou ao centro das atenções com a divulgação de imagens de segurança da clínica Nice Diálise, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Os registros mostram o momento em que o paciente começa a passar mal durante a sessão, é cercado por profissionais de saúde e, depois, levado em uma cadeira com rodinhas para a sala de emergência da unidade.

Bruno fazia hemodiálise em uma clínica conveniada ao SUS e passou mal em 20 de agosto de 2025. A suspeita investigada desde então é de que ácido peracético, produto usado na limpeza e desinfecção de equipamentos, tenha sido introduzido na corrente sanguínea durante o procedimento. Logo após o episódio, ele ficou em estado gravíssimo, foi entubado e entrou em coma.

O paciente morreu em 8 de setembro de 2025, depois de permanecer internado por quase três semanas. O laudo médico citado por veículos que acompanham o caso aponta intoxicação exógena, com edema cerebral e insuficiência respiratória aguda.

Sem resposta

A família afirma que, mesmo depois de sete meses, ainda não recebeu uma resposta definitiva sobre a causa da morte. Segundo o pai de Bruno, o laudo final do Instituto Médico Legal é considerado peça central para que o inquérito avance e possa se transformar em processo judicial. Em dezembro de 2025, a Polícia Civil informou à BandNews FM que a investigação estava em fase final e aguardava a conclusão desse documento.

As imagens mais recentes também reacenderam questionamentos sobre o socorro prestado. De acordo com o relato divulgado pela Band, o Samu teria levado cerca de 45 minutos para chegar, e Bruno só teria sido encaminhado à ambulância aproximadamente uma hora depois de entrar na sala de emergência da clínica.

Outro ponto que pesa no caso é a situação da unidade de saúde. Reportagens publicadas após a morte informaram que a clínica Nice Diálise estava com certificado de regularidade vencido desde 28 de junho de 2025, embora a Vigilância Sanitária tenha feito inspeção no local após o episódio. Em dezembro, a BandNews FM informou ainda que a vistoria encontrou não conformidades sanitárias, como número insuficiente de enfermeiros e ausência de registros obrigatórios ligados à esterilização dos equipamentos usados nas sessões de hemodiálise.

Após o caso, a Prefeitura de São Gonçalo informou que o contrato com a clínica já havia sido encerrado. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio declarou que os pacientes atendidos pelo SUS na unidade foram transferidos para outras clínicas conveniadas. O Cremerj também abriu sindicância para apurar o episódio.

O caso de Bruno segue sendo tratado pela família como uma busca por respostas que ainda não chegaram. Sete meses depois, o vídeo não encerra as dúvidas. Ao contrário: ele reforça a cobrança por esclarecimento técnico, responsabilização e uma conclusão oficial sobre o que, de fato, aconteceu dentro da clínica naquele dia.

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