A recuperação da infraestrutura de saúde no Rio Grande do Sul ganhou um reforço estratégico. Através de um acordo de cooperação entre o Ministério da Saúde e o UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos), prefeituras gaúchas estão recebendo suporte técnico especializado para agilizar a reforma e reconstrução de unidades atingidas pelas inundações de 2024.
O foco da iniciativa é garantir que as obras não apenas sejam concluídas com rapidez, mas que possuam projetos qualificados e maior eficiência na execução dos recursos públicos.
Monitoramento em 101 Unidades Básicas de Saúde
Atualmente, a força-tarefa acompanha de perto a situação de 101 Unidades Básicas de Saúde (UBS) em diversas regiões do estado. O trabalho vai além da fiscalização, oferecendo consultoria em áreas críticas como:
- Revisão de orçamentos e projetos de engenharia;
- Suporte jurídico em processos licitatórios;
- Adequação arquitetônica às condições reais do terreno;
- Estudos para obtenção de licenças e termos de referência.
Segundo Laicia Freitas de Lima, engenheira civil do UNOPS, o papel da equipe é destravar processos. “Quando há dúvidas sobre modelos de licitação ou valores, apresentamos alternativas técnicas e jurídicas que mantêm o cronograma em dia e respeitam os recursos disponíveis”, afirma.
Impacto nos municípios: Casos de sucesso
A consultoria técnica já apresenta resultados práticos em cidades severamente afetadas:
- Canoas: No Hospital de Pronto Socorro de Mathias Velho, a engenharia clínica foi essencial para redimensionar os equipamentos médicos necessários para que os atendimentos fossem retomados.
- Eldorado do Sul: Uma UBS que sofreu graves danos estruturais recebeu um novo projeto com foco em resiliência climática, incluindo sistemas de drenagem, contenção e melhorias na ventilação e acessibilidade.
- São José do Norte: A equipe identificou que o orçamento inicial para a reforma de uma unidade estava defasado, recomendando ajustes que garantissem a segurança e a funcionalidade do prédio.
Eficiência e transparência na reconstrução
Para o Ministério da Saúde, o acompanhamento sistemático é a chave para evitar desperdícios e o temido “retrabalho”. Cecília Abdo, gerente de projeto no UNOPS, destaca que o monitoramento contínuo permite identificar correções de rota ainda durante a execução das obras.
Dirceu Klitzke, coordenador-geral da pasta da saúde, reforça que a experiência no Rio Grande do Sul serve de modelo. “É possível avançar com obras públicas mesmo em cenários de crise, desde que haja eficiência, transparência e foco técnico na qualidade das entregas”, pontua.
O avanço da reconstrução representa não apenas a retomada dos serviços, mas também um passo importante para fortalecer o sistema de saúde frente a novos desastres, em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais frequentes.





