O Ministério da Saúde oficializou, nesta semana, a decisão de não incorporar a vacina recombinante contra o herpes-zóster no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) após uma análise técnica da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou o imunizante financeiramente inviável para os cofres públicos no momento.
O entrave financeiro e o impacto no orçamento
Embora a Conitec tenha reconhecido a eficácia e a importância da vacina para a saúde pública, o relatório final apontou que o preço ofertado tornaria a estratégia insustentável. Segundo os cálculos da Comissão, a vacinação de cerca de 1,5 milhão de brasileiros por ano exigiria um investimento anual de R$ 1,2 bilhão.
Ao final de um ciclo de cinco anos, o gasto total superaria os R$ 5,2 bilhões. Diante desses números, o órgão classificou a tecnologia como “não custo-efetiva”, sugerindo que novas negociações de preço são necessárias para que o imunizante possa ser oferecido gratuitamente à população.
Quem seria beneficiado?
O pedido de incorporação visava atender dois grupos considerados de altíssimo risco para complicações da doença:
- Idosos com 80 anos ou mais;
- Adultos (18+) imunocomprometidos (pessoas com sistema imunológico enfraquecido por doenças ou tratamentos).
Apesar da negativa atual, a portaria deixa aberta a possibilidade de uma nova avaliação caso surjam propostas de redução de custos ou novos dados científicos.
O que é o Herpes-Zóster e quais os riscos?
Conhecido popularmente como “cobreiro”, o herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster — o mesmo agente da catapora. Após a cura da catapora na infância, o vírus permanece “adormecido” nos nervos e pode ser reativado na fase adulta, especialmente quando há queda na imunidade ou devido ao envelhecimento natural.
Sintomas comuns:
- Sensibilidade, coceira e dor intensa (queimação);
- Manchas vermelhas que evoluem para bolhas com líquido;
- Erupções que seguem o trajeto de um nervo (geralmente apenas em um lado do corpo).
Dados de Mortalidade no Brasil
O impacto da doença no sistema de saúde brasileiro é significativo. Dados históricos revelam que:
- Entre 2008 e 2024, ocorreram mais de 116 mil atendimentos, entre ambulatoriais e internações.
- Entre 2007 e 2023, foram registradas 1.567 mortes relacionadas à doença.
- O grupo mais vulnerável são os idosos: 90% dos óbitos ocorreram em pessoas acima de 50 anos.
Tratamento disponível no SUS
Como a vacina não foi aprovada para a rede pública, o tratamento no SUS continua focado no manejo dos sintomas e no combate ao vírus após a infecção.
Para casos leves, o protocolo inclui analgésicos e cuidados com a higiene das lesões. Já para pacientes com risco de complicações (idosos e imunossuprimidos), o SUS disponibiliza o antiviral aciclovir, que ajuda a reduzir a duração dos sintomas e o risco de sequelas graves, como a neuralgia pós-herpética (dor crônica persistente).





